A expansão da McCain em Araxá anunciada nesta segunda-feira (8/12) não é só um marco para a indústria de alimentos: representa uma fagulha que acende um incêndio econômico sobre o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba. A empresa canadense, líder global em batatas pré-fritas congeladas, prepara o maior aporte de sua história na região, com R$ 1,8 bilhão direcionados à ampliação da fábrica entre 2025 e 2027. O projeto inclui novas linhas de produção, maior capacidade de armazenamento e a perspectiva de mais de 350 empregos diretos e impacto positivo para mais de mil profissionais no setor agrícola. A planta também já opera com 100% de energia renovável e certificação de carbono neutro, reforçando o compromisso com sustentabilidade num momento em que o mundo exige produção mais verde.
O governador Romeu Zema celebrou a iniciativa, lembrando que Minas Gerais é hoje o maior produtor de batata pré-frita do país, e que a chegada de investimentos dessa magnitude fortalece a economia local e o posicionamento do estado frente ao cenário nacional.
Esse movimento da McCain não ocorre de forma isolada. O Triângulo Mineiro tem sido atropelado por uma verdadeira onda de anúncios econômicos que somam cifras bilionárias e evidenciam um dinamismo produtivo inédito para a região.
Na capital do agronegócio, Uberlândia já atraiu mais de R$ 13,4 bilhões em investimentos privados em 2025, com mais de R$ 7,3 bi oriundos de empresas multinacionais, refletindo um ambiente extremamente competitivo e atrativo para capital estrangeiro e nacional.
Além desse montante, outras grandes iniciativas confirmam que o ecossistema industrial está em plena ascensão. A francesa Lactalis anunciou R$ 291 milhões em expansão de sua planta de laticínios em Uberlândia, com previsão de ramp-up até 2027 para produzir mil toneladas de queijo por mês, além de ampliar linhas de manteiga e outros produtos.
No município de Uberaba, a norte-americana Oxbo do Brasil inaugurou uma fábrica com aporte de R$ 50 milhões, gerando dezenas de empregos e fortalecendo a cidade como polo de tecnologia agrícola. Empresas belgas, como a Carmeuse, também investem na região com aportes que chegam a R$ 200 milhões em unidades de produção, contribuindo com novos postos de trabalho e diversificação econômica.
A atração de crédito facilita essa trajetória de crescimento. O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG liberou R$ 761 milhões em financiamentos para empresários e prefeituras do Triângulo de janeiro a outubro de 2025, um salto de quase 60 % em relação ao ano anterior, com destaque para os projetos ligados ao agronegócio. Essa injeção de recursos em linhas de crédito tem permitido que grupos locais e regionais acelerem expansão, inovação e investimentos estruturais nas suas operações.
O natural desse movimento é transformar a região em um pólo industrial multifacetado, unindo agronegócio, tecnologia, alimentos, laticínios e manufatura pesada em um mesmo ecossistema de crescimento. A presença cada vez mais forte de gigantes globais e a capacidade de gerar empregos qualificados criam um ciclo virtuoso: mais investimentos atraem mão-de-obra especializada, maiores oportunidades para fornecedores locais e mais renda circulando na economia.
Com uma dinâmica tão acelerada, o Triângulo Mineiro começa a se afirmar como um dos principais motores do desenvolvimento econômico de Minas Gerais, rivalizando com polos tradicionais e mostrando ao Brasil que o interior tem todas as cartas para liderar a próxima fase industrial do país.