Uberaba entrou definitivamente no mapa dos grandes investimentos em energia limpa. O município vai receber uma fábrica de produção de gás biometano, com aporte estimado em R$ 200 milhões, a partir do reaproveitamento de resíduos da cana-de-açúcar e do agronegócio. O licenciamento ambiental do empreendimento foi aprovado no dia 11 de dezembro pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente, liberando oficialmente a implantação da unidade.
O projeto é do grupo CMAA e será instalado em uma área de aproximadamente 15 hectares, anexa à Usina Vale do Tijuco. O anúncio do investimento foi feito em abril deste ano, durante a Abertura da Safra Mineira de Cana-de-Açúcar e Etanol, evento que reuniu autoridades, empresários e lideranças do setor energético.
Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o processo de licenciamento — que envolveu Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO) — foi concluído em prazo considerado ágil, entre 30 e 40 dias, após o protocolo apresentado pela empresa. Com a aprovação, o empreendimento está autorizado a iniciar as obras, previstas para o segundo trimestre de 2026.
Quando estiver em operação, a fábrica deverá gerar cerca de 100 empregos diretos e indiretos, além de fortalecer a cadeia agroindustrial e energética da região. O biometano produzido será destinado principalmente ao abastecimento de indústrias locais e do setor de transportes, oferecendo um combustível de baixo carbono e competitivo frente aos combustíveis fósseis.
O investimento em Uberaba não é um caso isolado. Ao longo de 2025, o Triângulo Mineiro tem se consolidado como um dos principais polos de atração de grandes aportes em Minas Gerais. Em Araxá, por exemplo, a expansão industrial no setor alimentício e agroindustrial anunciou investimentos superiores a R$ 1 bilhão, com foco em ampliação de plantas, geração de empregos e exportação. Já Uberlândia vem concentrando projetos logísticos e de distribuição, com novos centros operacionais e armazéns de grande porte que, somados, ultrapassam centenas de milhões de reais em investimentos privados.
Municípios como Patrocínio, Ituiutaba e Araguari também aparecem no radar de grandes grupos do agronegócio, energia e logística, impulsionados pela localização estratégica, infraestrutura rodoviária e pela força produtiva do campo. O movimento revela uma mudança clara no perfil econômico da região, que passa a combinar agronegócio tradicional com inovação, energia renovável e indústria de base tecnológica.
No caso do biometano, o impacto vai além da economia. A iniciativa integra a política de transição energética, contribui para a redução de gases de efeito estufa e amplia a diversificação da matriz energética de Minas Gerais. Para Uberaba, o projeto representa não apenas um novo empreendimento, mas um reposicionamento estratégico como cidade alinhada às demandas ambientais e energéticas do futuro.
Enquanto outras regiões do país disputam investimentos, o Triângulo Mineiro avança com projetos robustos, cifras expressivas e um discurso cada vez mais forte de sustentabilidade, inovação e desenvolvimento econômico de longo prazo.