Na terça-feira, 16 de dezembro, a CPI da Saúde da Câmara Municipal de Uberlândia reuniu seus membros no plenário literalmente para uma queda de braço política sobre o futuro da investigação que apura suposto desvio de recursos públicos na Secretaria Municipal de Saúde. A reunião teve como eixo a leitura de um parecer jurídico produzido pela Procuradoria da Câmara, que concluiu que a comissão não teria apresentado um “fato determinado, concreto e identificado” que justificasse sua continuidade — e recomendou o arquivamento dos autos e o encerramento da CPI.
O presidente da CPI, vereador Ronaldo Tannus (PSDB), abriu o encontro e solicitou ao relator, vereador Neemias Miquéias (Podemos), a leitura do parecer. Também participaram os vereadores professor Conrado Augusto (MDB) e Jair Ferraz (PP).
No centro dessa disputa técnica e política está justamente o que define – ou restringe – o poder de uma CPI. A Procuradoria argumenta que, sem um fato específico claramente apontado no requerimento, a comissão não poderia expandir livremente seu escopo investigativo. Essa visão jurídica, se acatada de forma literal, poderia encerrar a CPI antes mesmo de sua fase probatória mais aprofundada.
Vereador Conrado Augusto, no entanto, rebateu com energia: lembrou que o material que já está em poder da comissão foi analisado por várias pessoas e tem relevância suficiente para justificar a continuidade da investigação. Para ele, a CPI não existe apenas para confirmar fatos já bem definidos de antemão, mas também para identificar elementos que emergem no processo de apuração, o que é “importantíssimo diante dos valores envolvidos”. Augusto ainda afirmou que o Ministério Público também está envolvido em uma investigação paralela sobre o mesmo caso, que pode somar até R$12 milhões supostamente desviados.
A resposta do presidente foi conciliar a força da argumentação de Conrado com o caminho jurídico traçado: Miquéias, como relator, deverá produzir um próprio parecer sobre os pontos levantados no documento da Procuradoria, e uma nova reunião será convocada nos prazos regimentais para a continuidade dos trabalhos.
O clima entusiasmado e crítico entre os membros da CPI reflete uma tensão clássica entre interpretação jurídica estrita e a busca por transparência e responsabilização em casos sensíveis de gestão pública. O próximo capítulo será a definição do parecer do relator e a decisão sobre até onde essa CPI vai na exposição de possíveis irregularidades na saúde municipal.
Reportagem baseada em informações oficiais divulgadas pela Câmara Municipal de Uberlândia.