23°C 32°C
Uberaba, MG
Publicidade
Anúncio

Por que o Brasil veste branco no Réveillon? Tradição popular tem raízes nas religiões afro-brasileiras

Costume amplamente adotado na virada do ano foi influenciado por práticas da Umbanda e do Candomblé, especialmente no Rio de Janeiro, e se espalhou pelo país ao longo do século 20

02/01/2026 às 11h45
Por: Redação
Compartilhe:
Por que o Brasil veste branco no Réveillon? Tradição popular tem raízes nas religiões afro-brasileiras

Vestir branco na noite de Réveillon é um hábito tão comum no Brasil que muitos o repetem sem saber exatamente de onde veio. Associada à paz, renovação e bons presságios para o ano que começa, a tradição, no entanto, tem origem histórica ligada às religiões afro-brasileiras — especialmente à Umbanda e ao Candomblé — e ganhou força a partir do século passado.

 

A Umbanda foi fundada oficialmente em 1908, no Rio de Janeiro, e desde o início adotou o branco como vestimenta ritual. A escolha da cor não foi aleatória: o branco simboliza igualdade, neutralidade e pureza espiritual. Nos terreiros, todos os fiéis se vestiam da mesma forma, independentemente de classe social, origem ou condição econômica, reforçando a ideia de que, diante do sagrado, todos são iguais.

 

Com o tempo, o branco também passou a ser usado para saudar orixás específicos. Oxalá, associado à criação e à paz, tem o branco como sua principal cor. Iemanjá, orixá das águas e do mar, também é amplamente homenageada com roupas claras, especialmente no dia 31 de dezembro, quando milhares de pessoas fazem oferendas nas praias.

 

A popularização desse costume fora dos terreiros ocorreu principalmente entre as décadas de 1970 e 1980. A forte presença de artistas, intelectuais e produções televisivas — sobretudo nas grandes festas de Réveillon em Copacabana — ajudou a difundir os rituais afro-brasileiros como parte do imaginário coletivo da virada do ano. O branco, então, deixou de ser um símbolo exclusivamente religioso e passou a integrar o calendário cultural brasileiro.

 

Além da roupa branca, outros costumes foram incorporados à celebração popular, como pular sete ondas, fazer pedidos, acender velas e oferecer flores ao mar. Práticas que, embora tenham origem religiosa, hoje são reproduzidas por pessoas das mais diversas crenças — ou mesmo sem nenhuma filiação religiosa.

 

A discussão sobre o uso do branco por cristãos, tema que frequentemente surge nas redes sociais, também acompanha esse processo de ressignificação. Para estudiosos da cultura brasileira, o hábito já se consolidou como tradição cultural, desvinculada de obrigação religiosa, refletindo o sincretismo que marca a formação do país.

 

Mais do que um símbolo de fé, o branco no Réveillon tornou-se um reflexo da identidade brasileira: plural, miscigenada e profundamente influenciada por diferentes matrizes culturais.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Uberaba, MG
27°
Tempo limpo

Mín. 23° Máx. 32°

27° Sensação
3.6km/h Vento
44% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
06h02 Nascer do sol
18h07 Pôr do sol
Ter 35° 23°
Qua 27° 19°
Qui 31° 19°
Sex 34° 19°
Sáb 37° 21°
Atualizado às 22h01
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 5,11 -0,02%
Euro
R$ 5,86 -0,06%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 464,046,88 -1,08%
Ibovespa
186,595,60 pts 0.74%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Lenium - Criar site de notícias