Se existe um vilão nas relações de consumo em Uberlândia, ele tem cartão, juros e aplicativo. O Ranking Anual de Reclamações divulgado pelo Procon do município revela que os bancos lideram, com folga, o número de queixas registradas em 2025. Ao todo, foram 20.998 reclamações entre janeiro e dezembro, sendo aproximadamente 50 por cento direcionadas às instituições financeiras.
O levantamento é publicado em cumprimento à Lei Municipal nº 13.491 de 2021, que determina a divulgação anual das empresas públicas e privadas mais demandadas no Procon. A proposta é simples e poderosa: dar transparência às relações de consumo e expor quem mais gera conflitos com a população.
Os números não apenas informam. Eles incomodam. Em uma cidade que vive cada vez mais dependente de serviços digitais, crédito, financiamentos e bancos virtuais, o alto volume de queixas contra o setor financeiro evidencia um abismo entre promessa e entrega.
A Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor atua diariamente para equilibrar essa relação desigual. O órgão realiza atendimentos presenciais, acompanha processos administrativos, responde consultas por telefone e e mail, além de promover fiscalizações em estabelecimentos comerciais.
Segundo o Procon, a divulgação do ranking tem três objetivos centrais: ampliar a transparência, orientar os consumidores sobre o desempenho das empresas e pressionar os fornecedores a aprimorarem seus serviços e canais de atendimento.
A lógica é clara. Quando o problema aparece publicamente, ele deixa de ser invisível. O ranking transforma a insatisfação individual em dado coletivo e permite identificar padrões que, antes, ficavam dispersos em atendimentos isolados.
O órgão reforça que consumidores que se sintam prejudicados devem formalizar suas reclamações. Cada registro fortalece o sistema, amplia o diagnóstico e aumenta a chance de soluções efetivas.
Em Uberlândia, o Procon atende presencialmente na avenida Benjamin Magalhães, número 3, no bairro Tibery, e também por meio da van itinerante, o Procon Móvel, cuja programação é divulgada semanalmente. Outra opção é a plataforma online faleprocon.mg.gov.br, onde é possível abrir reclamações, fazer denúncias e renegociar dívidas.
Para dar início a um procedimento, o consumidor precisa apresentar documentos pessoais, contratos firmados entre as partes, comprovantes de aquisição e números de protocolo de atendimento junto às empresas.
Há ainda o Fale Procon, pelo telefone 151, que oferece orientação, informações sobre andamento de solicitações e agendamentos. O atendimento funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h.
O ranking não é apenas um retrato estatístico. Ele é um espelho social. E, em 2025, esse espelho mostra que, para milhares de uberlandenses, o maior conflito do cotidiano não está na rua, nem na loja. Está no banco.