A prefeita de Uberaba, Elisa Araújo, embarca nesta terça-feira para Brasília com uma missão que vai muito além de agenda institucional. Ela tenta colocar a cidade dentro da sala onde serão tomadas as decisões mais importantes da nova era tributária do país.
Uberaba disputa uma vaga no Conselho Superior Provisório do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS, tributo criado pela reforma tributária e que vai substituir o ICMS, de competência dos Estados, e o ISS, dos municípios. Na prática, trata-se do órgão máximo que definirá regras, diretrizes, critérios de repasse e funcionamento do novo sistema.
A indicação feita por Uberaba é do secretário adjunto de Fazenda, Nilson Grossi. O Conselho será formado por 27 representantes dos Estados e do Distrito Federal e 27 representantes dos municípios, além dos suplentes. Dos nomes municipais, parte é definida pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos e parte pela Confederação Nacional de Municípios, cuja assembleia extraordinária ocorre nesta terça na capital federal.
A disputa é silenciosa, técnica e, ao mesmo tempo, brutal. Quem estiver fora desse conselho corre o risco de apenas receber decisões prontas, sem poder influenciar como o novo imposto vai impactar receitas, investimentos e serviços públicos nas cidades.
O Conselho Superior do IBS será responsável por definir normas gerais, supervisionar o orçamento do sistema e garantir que as competências previstas em lei sejam cumpridas. Em outras palavras, será o cérebro da engrenagem que vai movimentar trilhões de reais nos próximos anos.
“Elas decisões terão impacto direto nos municípios. Estarei em Brasília com a equipe da Fazenda para pleitear uma representação que ajude a reduzir os impactos da reforma para as prefeituras”, afirmou Elisa.
Além da prefeita, participam da agenda o secretário municipal de Fazenda, Roberto Tosto, e o secretário adjunto Nilson Grossi. A assembleia da CNM também discutirá a Portaria Conjunta nº 2 de 2026 do Governo Federal, que trata dos procedimentos e prazos para a operacionalização de emendas parlamentares nos municípios.
A reforma tributária já é realidade constitucional. Agora começa a fase mais sensível: a do poder prático. E, nesse tabuleiro, estar dentro do conselho não é prestígio político. É sobrevivência administrativa. Uberaba tenta garantir que seu futuro financeiro não seja decidido à distância, por quem não vive a realidade da cidade.