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Mudança na jornada de trabalho vira alerta nacional e empresários cobram “conta real” do fim do 6x1
Debate em São Paulo reúne lideranças políticas e setor produtivo em meio a ano eleitoral e expõe divergências sobre custos e impactos sociais
11/02/2026 19h14
Por: Redação

Um encontro promovido pelo Lide, em São Paulo, colocou no centro das atenções um dos temas mais sensíveis do momento no país: o futuro das jornadas de trabalho e os impactos econômicos de possíveis mudanças, como o fim da escala 6 por 1. O evento reuniu empresários e lideranças políticas, entre eles o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em um debate marcado por alertas sobre transparência, informação pública e responsabilidade nas decisões em período eleitoral.

Durante a discussão, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes levou ao palco um ponto considerado crucial pelo setor produtivo: a sociedade ainda não conhece, de forma detalhada, quais seriam os custos reais de alterações estruturais na organização das jornadas. Para o presidente da entidade, Paulo Solmucci, a ausência de dados claros impede que o debate avance de maneira responsável e fundamentada.

Solmucci relembrou um debate televisivo recente com o presidente da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, no qual foi afirmado que o peso financeiro de uma eventual mudança não recairia apenas sobre empresários, mas sobre toda a sociedade. O dirigente da Abrasel concordou com a avaliação, mas destacou que o público ainda não tem acesso às informações necessárias para compreender quais seriam esses impactos na prática, seja na oferta de empregos, no funcionamento de serviços essenciais ou no preço final ao consumidor.

Segundo ele, a preocupação aumenta diante de propostas que buscam acelerar a tramitação do tema por meio de urgência constitucional. Na visão do setor, decisões desse porte exigem ampla divulgação de números, estudos e projeções, evitando que o debate se torne superficial ou guiado apenas por discursos políticos.

Edinho Silva, por sua vez, defendeu a necessidade de maturidade institucional e equilíbrio nas discussões, especialmente em ano eleitoral. O dirigente partidário destacou que reformas estruturais exigem diálogo e construção de confiança entre diferentes setores da sociedade. Para ele, o país vive um momento de transformação acelerada no mundo do trabalho e a legislação precisa acompanhar essa dinâmica sem ignorar a produtividade nem a proteção ao trabalhador.

O encontro terminou com consenso em torno de um ponto central: decisões sobre mudanças trabalhistas precisam considerar a realidade cotidiana de quem emprega e de quem trabalha. A avaliação predominante foi de que, sem informação ampla e transparente, qualquer proposta corre o risco de gerar ruídos, insegurança e efeitos inesperados na economia. O debate, embora técnico, reforçou o clima de atenção que o tema deve provocar nos próximos meses no cenário nacional.