

Uberaba deu um passo que pode mudar a forma como a cidade encara o próprio desenvolvimento. A Câmara Municipal aprovou a Indicação 004 de 2026, apresentada pelo vereador Ripposati Filho, solicitando a implantação de uma nova estação de monitoramento da qualidade do ar no município.
A proposta não ficou apenas no discurso. O parlamentar destinou R$ 100 mil por meio de emenda impositiva na Lei Orçamentária Anual de 2026 para a aquisição do equipamento, que integrará o Observatório da Qualidade do Ar da cidade.
A construção da iniciativa vem desde o ano passado e envolve uma articulação que une ativismo, ciência e poder público. Participam do projeto o ativista Jurandir Ferreira, a Secretaria de Saúde, a Universidade Federal do Triângulo Mineiro e o Ministério Público, com apoio do promotor Carlos Valera.
Atualmente, a UFTM já opera a primeira estação de monitoramento da região, instalada na parte oeste da cidade. O equipamento mede partículas inaláveis, gases poluentes e variáveis meteorológicas, produzindo dados técnicos que ajudam a compreender o impacto ambiental urbano.
A nova estação, que deverá ser instalada na região sul, permitirá comparar indicadores entre diferentes áreas da cidade e identificar possíveis fontes poluidoras. Segundo Ripposati, o objetivo é fortalecer a prevenção em saúde pública. “Estamos falando do ar que a população respira. Monitorar é prevenir doenças e proteger vidas”, afirmou.
O debate ganha relevância em um momento em que Uberaba vive expansão econômica e pode receber novos empreendimentos industriais. O desafio, segundo o vereador, é equilibrar crescimento e responsabilidade ambiental. Desenvolvimento sem dados ambientais concretos pode gerar impactos invisíveis que só aparecem anos depois, especialmente em doenças respiratórias e cardiovasculares.
A aprovação da indicação coloca Uberaba em uma rota mais estratégica de planejamento urbano. Monitorar o ar não é luxo tecnológico, é instrumento de política pública baseada em evidência científica. Em tempos de crescimento acelerado, medir passa a ser tão importante quanto produzir.
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