Representantes de entidades ligadas ao setor produtivo brasileiro se reuniram nesta terça-feira (3), em Brasília, para discutir os possíveis impactos da proposta que prevê a redução da jornada semanal de trabalho e o fim da escala 6x1. O encontro ocorreu durante a Reunião Almoço da Coalizão das Frentes Produtivas, realizada na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária.
Entre as entidades presentes esteve a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, representada pelo diretor de Relações Governamentais, Jorge Antonio Pires de Miranda. A reunião reuniu mais de 50 entidades empresariais e frentes parlamentares ligadas à produção nacional, além de mais de 50 deputados e senadores.
Também participaram organizações como Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Instituto Pensar Agropecuária, Confederação Nacional da Indústria e Fecomércio, entre outras instituições ligadas ao agronegócio, comércio, serviços e setor financeiro.
Durante o encontro, foi apresentado um estudo técnico elaborado pelo sociólogo e professor da Universidade de São Paulo, José Pastore, em conjunto com o advogado trabalhista Eduardo Pastore. O levantamento aponta que uma eventual redução da jornada para 40 horas semanais poderia elevar o custo unitário do trabalho em cerca de 10%. Já uma redução para 36 horas poderia gerar aumento estimado de até 22%, além de ampliar o risco de judicialização nas relações de trabalho.
Segundo representantes das entidades participantes, o grupo decidiu subscrever um manifesto contrário à proposta de mudança na legislação trabalhista. Para o setor produtivo, alterações desse tipo deveriam ser precedidas de estudos aprofundados sobre impactos econômicos e produtividade.
De acordo com Jorge Antonio Pires de Miranda, o debate precisa considerar os efeitos sobre competitividade e geração de empregos no país. Segundo ele, mudanças estruturais na jornada de trabalho podem impactar diretamente diversos segmentos da economia.
A Coalizão das Frentes Produtivas defende que eventuais reformas na legislação trabalhista sejam discutidas com base em indicadores de produtividade e em diálogo com os setores econômicos, buscando equilibrar a proteção ao trabalhador com a sustentabilidade das atividades produtivas.