Economia Agronegócio
Plano Safra 2026/2027 entra no centro do debate e entidades do agro pressionam por mais crédito e melhores condições ao produtor
Reunião na ABCZ, em Uberaba, reúne lideranças do setor para discutir juros, volume de recursos, renegociação de dívidas e seguro rural.
06/03/2026 08h12
Por: Redação

Representantes de entidades ligadas ao agronegócio se reuniram na sede da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em Uberaba, para discutir propostas que devem integrar o Plano Safra 2026/2027. O encontro teve como objetivo alinhar demandas do setor produtivo e encaminhá las aos responsáveis pela formulação das políticas públicas voltadas ao crédito rural.

 

Participaram da reunião o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, os diretores da entidade José Olavo Borges Mendes Júnior e Gilberto Machado Barata de Oliveira, o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Uberaba, Vinícius José Rios Rodrigues, o engenheiro agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater MG), Petrônio da Silva, além da diretora da Denner Seguro de Animais, Karen Matielli.

 

Durante o encontro, ficou definida a elaboração de um documento conjunto com sugestões e reivindicações do setor, que será encaminhado às autoridades responsáveis pela construção do Plano Safra. A iniciativa busca ampliar o diálogo entre produtores rurais e os órgãos que estruturam as políticas de financiamento agrícola no país.

 

Entre os principais temas debatidos estiveram as taxas de juros aplicadas ao crédito rural, o volume de recursos disponíveis para financiamento e as condições de pagamento das operações de custeio agrícola. Segundo representantes do setor, essas questões têm impacto direto na sustentabilidade financeira da atividade no campo.

 

O engenheiro agrônomo Petrônio da Silva destacou que um dos desafios enfrentados atualmente pelos produtores está relacionado à disponibilidade de recursos para financiamento. De acordo com ele, muitas vezes o volume liberado não é suficiente para atender a demanda do setor, além de mudanças recentes no prazo de pagamento do custeio agrícola, que passou de um ano para dez meses, aumentando a pressão financeira sobre os produtores.

 

Outro ponto discutido foi a necessidade de criação de mecanismos que permitam a renegociação de dívidas em condições viáveis, evitando o aumento da inadimplência e garantindo a continuidade das atividades produtivas no campo.

 

Os participantes também debateram propostas para aprimorar o seguro pecuário dentro do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Entre as sugestões apresentadas está o reconhecimento dos ativos genéticos bovinos como componente estratégico para o aumento da produtividade, sustentabilidade e competitividade da pecuária brasileira no mercado internacional.

 

Para o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, o produtor rural desempenha papel central na economia nacional e na segurança alimentar. Segundo ele, o Plano Safra precisa refletir a realidade do campo e garantir condições que permitam a continuidade do desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

 

A articulação entre entidades do setor produtivo, sindicatos rurais e órgãos técnicos foi apontada como fundamental para que as necessidades dos produtores sejam consideradas na formulação das políticas agrícolas que orientarão o próximo ciclo do Plano Safra.