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Zema recusa ser vice de Bolsonaro e expõe rachadura na direita brasileira
Governador de Minas Gerais afirma que aceitar posição em outra chapa seria “se curvar” a propostas com as quais não concorda e reafirma que pretende levar sua pré candidatura à Presidência até o fim.
09/03/2026 18h56
Por: Redação

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), descartou publicamente a possibilidade de integrar como vice uma eventual chapa presidencial liderada por Flávio Bolsonaro (PL) ou qualquer outro candidato nas eleições nacionais. A declaração foi feita nesta segunda feira (9) e reforça a intenção do governador de seguir com sua própria pré candidatura à Presidência da República.

 

Segundo Zema, aceitar a posição de vice significaria se submeter a propostas e diretrizes políticas com as quais ele não concorda. Para o governador, essa decisão também representaria um desvio da linha ideológica defendida pelo partido Novo.

 

“Eu levarei a minha pré campanha até o final e ser vice de outro candidato de certa maneira é o Partido Novo se curvar a questões nas quais nós não concordamos. Muitos estão querendo colocar pano quente nessa questão e nós não queremos”, afirmou.

 

A fala ocorre em meio a movimentações dentro do campo político da direita. De acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles, integrantes de uma ala do PL defendiam que o governador mineiro pudesse compor uma chapa como vice de Flávio Bolsonaro, cuja possível candidatura já aparece competitiva em levantamentos eleitorais e disputa espaço com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto.

 

O posicionamento de Zema também veio após a bancada do Novo protocolar mais um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O pedido estaria relacionado ao suposto envolvimento do magistrado no caso do Banco Master, tema que tem provocado debates e tensões no cenário político.

 

Durante a declaração, Zema ainda afirmou que há tentativas de amenizar ou minimizar questões relacionadas ao inquérito que tramita no STF. Sem citar nomes diretamente, ele disse que “muitos estão querendo colocar panos quentes” no caso.

 

O governador também rejeitou completamente a possibilidade de alianças com partidos como União Brasil e Progressistas. Segundo ele, uma aproximação com essas siglas poderia descaracterizar a identidade política do Novo.

 

No contexto eleitoral, Minas Gerais tem peso estratégico no cenário nacional. Como segundo maior colégio eleitoral do país, o estado historicamente funciona como um termômetro político das eleições presidenciais. Desde 1989, o candidato vencedor em Minas costuma repetir o resultado no cenário nacional.

 

A declaração de Zema reforça a disputa interna no campo da direita brasileira e sinaliza que a corrida presidencial pode caminhar para uma fragmentação maior entre os candidatos do mesmo espectro político nos próximos meses.