A Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra começou no último dia 8 de março com mobilizações em diferentes regiões do país e já registrou ocupações de propriedades rurais, protestos e atos públicos em defesa da reforma agrária. De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mais de 11 mil mulheres participaram das ações realizadas nos dois primeiros dias do movimento.
As mobilizações ocorreram em 13 estados e 21 municípios, somando 24 ações organizadas pelo movimento. Entre as atividades registradas estão ocupações de sete áreas classificadas pelo grupo como latifúndios improdutivos, além de marchas, bloqueios de rodovias, encontros de formação política e manifestações públicas.
A jornada segue até o próximo dia 12 de março e tem como lema “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar”. Segundo o MST, as mobilizações buscam chamar atenção para a pauta da reforma agrária, além de denunciar situações de violência no campo e desigualdades sociais.
Ayala Ferreira, integrante da coordenação nacional do MST, afirmou que a jornada pretende fortalecer a organização das mulheres do campo e ampliar o debate sobre o modelo agrário brasileiro.
Segundo ela, muitas das áreas ocupadas durante as mobilizações são consideradas improdutivas pelo movimento e estariam associadas a problemas como grilagem de terras, denúncias de trabalho análogo à escravidão ou impactos ambientais.
Durante os atos, as participantes também promoveram atividades de formação política e articulações com movimentos sociais urbanos e rurais. A proposta, de acordo com a organização, é ampliar o diálogo sobre desigualdades sociais, violência no campo e acesso à terra.
O MST afirma que as mobilizações fazem parte de um processo histórico de reivindicação por políticas públicas voltadas à reforma agrária. A entidade defende que a redistribuição de terras é uma das medidas necessárias para enfrentar problemas como fome, desemprego e desigualdade social.
A jornada nacional permanece em mobilização até quinta feira, dia 12, com novas atividades previstas em diferentes regiões do país. O movimento também convocou a sociedade a acompanhar os atos e participar do debate sobre políticas agrárias no Brasil.