Economia Desenvolvimento
Minas acelera corrida da energia solar, mas Triângulo Mineiro pode ficar para trás na nova onda de investimentos
Enquanto o Noroeste do estado desponta como nova fronteira para grandes usinas solares, cidades do Triângulo Mineiro concentram crescimento mais ligado à geração distribuída em telhados e pequenas usinas.
13/03/2026 11h46 Atualizada há 6 meses
Por: Redação

A expansão da energia solar em Minas Gerais deve ganhar uma nova frente de crescimento nos próximos anos, com destaque para o Noroeste do estado. Regiões como Paracatu, João Pinheiro e Unaí passaram a ser apontadas por especialistas do setor energético como áreas estratégicas para a instalação de grandes usinas fotovoltaicas, impulsionadas por fatores como disponibilidade de terras, alto índice de radiação solar e facilidade logística para conexão com o sistema elétrico.

O movimento ocorre após o Norte de Minas consolidar-se como um dos principais polos de geração solar do país, concentrando grandes empreendimentos que ajudaram a colocar Minas Gerais entre os estados líderes na produção de energia fotovoltaica.

Atualmente, Minas ocupa posição de destaque no cenário nacional. O estado está entre os maiores geradores de energia solar do Brasil, com milhares de sistemas instalados tanto em usinas de grande porte quanto em projetos de geração distribuída, modelo em que a energia é produzida em telhados de residências, empresas e propriedades rurais.

Triângulo Mineiro cresce de forma diferente

No Triângulo Mineiro, o crescimento da energia solar segue um caminho distinto. Em cidades como Uberlândia, Uberaba, Patos de Minas e Araguari, a expansão ocorre principalmente por meio da instalação de painéis solares em residências, comércios, indústrias e propriedades rurais.

Uberlândia, por exemplo, está entre os municípios mineiros com maior número de sistemas fotovoltaicos instalados, impulsionada pelo setor empresarial e pelo agronegócio regional, que busca reduzir custos com energia elétrica e aumentar a autonomia energética.

Já Uberaba também registra crescimento significativo do setor, com expansão em condomínios, indústrias e propriedades rurais, além de projetos de geração compartilhada que permitem que consumidores utilizem energia produzida em usinas solares remotas.

Por que o Noroeste atrai grandes usinas

Especialistas apontam que o Noroeste de Minas apresenta características ideais para projetos de grande escala. A região possui vastas áreas disponíveis, menor densidade populacional e grande incidência solar ao longo do ano. Esses fatores reduzem custos de implantação e facilitam a instalação de parques solares com centenas de hectares.

Além disso, a proximidade com linhas de transmissão de energia torna a região atrativa para investidores interessados em produzir energia em larga escala para abastecer diferentes estados.

Demanda ainda é desafio

Apesar do potencial de crescimento, especialistas alertam que o ritmo de expansão da energia solar pode desacelerar no curto prazo devido ao crescimento ainda limitado da demanda por energia no país e aos desafios regulatórios do setor.

Mesmo assim, o avanço da energia renovável continua sendo visto como uma das principais tendências da matriz energética brasileira. Para regiões como o Triângulo Mineiro, a expectativa é que a expansão continue ocorrendo principalmente na geração distribuída, enquanto grandes usinas tendem a se concentrar em áreas com maior disponibilidade territorial.

O cenário revela que Minas Gerais segue como um dos protagonistas nacionais na transição energética, mas também evidencia diferenças regionais no modelo de crescimento da energia solar dentro do próprio estado.