Mundo Agronegócio
Guerra no Oriente Médio faz preço de fertilizantes disparar e acende alerta no agro do Triângulo Mineiro
Alta de até 28% em insumos nitrogenados no mercado internacional preocupa produtores de soja e milho e pode pressionar custos da próxima safra na região.
13/03/2026 13h04 Atualizada há 6 meses
Por: Redação

A escalada das tensões no Oriente Médio já começa a provocar efeitos no agronegócio global e pode impactar diretamente produtores do Triângulo Mineiro. Nos últimos dias, fertilizantes nitrogenados registraram forte valorização no mercado internacional, pressionados pela instabilidade geopolítica e por problemas logísticos em uma das principais regiões produtoras do mundo.

Segundo análise da empresa de inteligência de mercado StoneX, a ureia — um dos fertilizantes mais utilizados no cultivo de milho, soja e pastagens — teve aumento superior a 15% em apenas uma semana nos portos brasileiros. Já o nitrato de amônio apresentou uma valorização ainda maior, próxima de 28%, com alta superior a US$ 100 por tonelada no mesmo período.

De acordo com o analista de inteligência de mercado da StoneX, Tomás Pernías, o avanço dos preços está diretamente ligado à instabilidade gerada pelo conflito e às interrupções na cadeia global de produção e distribuição de fertilizantes.

Nos primeiros dias após o agravamento da crise, diversos fornecedores internacionais suspenderam ofertas temporariamente para aguardar maior definição do cenário. Ao mesmo tempo, ataques na região afetaram a produção de fertilizantes nitrogenados no Catar, um dos polos importantes de produção mundial.

Outro fator que preocupa o mercado é a situação logística no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do comércio global de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio.

Atualmente, a região responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia, o que significa que qualquer interrupção prolongada pode provocar um efeito dominó nos preços internacionais.

Possível impacto no Brasil e no Triângulo Mineiro

Embora o impacto imediato seja mais sentido em países que estão em pleno período de plantio, como os Estados Unidos, especialistas alertam que o Brasil também pode sentir reflexos nas próximas compras de fertilizantes.

No país, a demanda por nitrogenados costuma se intensificar no final do ano, especialmente para o plantio da safrinha de milho, uma das principais culturas da região do Triângulo Mineiro.

A região, que reúne importantes polos agrícolas como Uberaba, Uberlândia, Araxá, Patos de Minas e Ituiutaba, é fortemente dependente da importação de fertilizantes. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).

Essa dependência faz com que crises internacionais tenham reflexos diretos no custo de produção do campo brasileiro.

Para produtores da região, uma alta prolongada pode impactar o planejamento da próxima safra. O Triângulo Mineiro é um dos principais polos agrícolas do estado de Minas Gerais, com forte produção de soja, milho, café e cana-de-açúcar, culturas que dependem intensamente de fertilização.

Além disso, Uberaba abriga um dos maiores polos de fertilizantes da América Latina, com unidades industriais e centros de distribuição que abastecem diversas regiões do país.

Mercado ainda cercado de incertezas

Especialistas avaliam que o comportamento dos preços nos próximos meses dependerá diretamente da evolução do cenário geopolítico.

Caso o conflito se prolongue e continue afetando produção e transporte de insumos, o mercado global pode enfrentar novas oscilações, elevando ainda mais os custos para agricultores.

Por outro lado, importadores brasileiros ainda adotam postura cautelosa neste momento, aguardando maior clareza sobre a evolução da crise antes de ampliar as compras para as próximas safras.

Enquanto isso, produtores e cooperativas da região acompanham o mercado com atenção, já que o custo dos fertilizantes costuma representar uma das maiores parcelas do investimento na produção agrícola.

No campo, como costuma acontecer em momentos de instabilidade global, decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância podem acabar influenciando diretamente a próxima safra no coração do agronegócio brasileiro.