O paradesporto do Triângulo Mineiro voltou a ganhar destaque nacional após a convocação do paratleta Mateus Carvalho e do assistente esportivo Oscar Carvalho, integrantes da equipe da Prefeitura de Uberlândia, para a fase de treinamento da seleção brasileira de bocha paralímpica. A preparação acontece no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CPB), em São Paulo, e tem como objetivo preparar atletas para competições nacionais e internacionais previstas ao longo de 2026. 
A convocação foi realizada pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes (Ande) e representa mais um passo na trajetória de um atleta que já acumula resultados expressivos no cenário internacional. Mateus Carvalho conquistou recentemente ouro na disputa individual e bronze por pares no Challenger Series Santiago, realizado no Chile, consolidando-se como um dos principais nomes da modalidade no país. 
Uberlândia se consolida como referência em paradesporto
O caso de Mateus não é isolado. Uberlândia tem se destacado como um dos polos mais estruturados do paradesporto em Minas Gerais. A cidade conta com programas de formação e alto rendimento apoiados pela Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel) em parceria com associações e clubes esportivos.
Atualmente, o município possui 18 paratletas na modalidade bocha, entre atletas iniciantes e de alto rendimento, com treinos realizados no ginásio do Sesi Gravatás, espaço que recebe atividades esportivas de segunda a sábado. 
O investimento em políticas públicas e parcerias institucionais também ajudou a ampliar a base do paradesporto local. Segundo dados da própria Futel, Uberlândia mantém programas que atendem centenas de paratletas em modalidades como atletismo, bocha, goalball, halterofilismo e natação, oferecendo acompanhamento técnico, estrutura esportiva e suporte fisioterapêutico. 
Resultados que colocam a cidade no mapa do esporte paralímpico
Os resultados desse trabalho vêm aparecendo em competições nacionais e internacionais. Em 2024, equipes ligadas ao programa municipal conquistaram 271 medalhas em diferentes modalidades do paradesporto, incluindo medalhas em competições nacionais e etapas internacionais. 
A modalidade de bocha paralímpica, em especial, tem ganhado destaque. O esporte é praticado principalmente por atletas com alto grau de comprometimento motor e exige precisão, estratégia e controle técnico. No Brasil, a modalidade vem se fortalecendo nas últimas duas décadas, impulsionada pelo crescimento do movimento paralímpico e pelos investimentos em centros de treinamento especializados.
Triângulo Mineiro também revela outros talentos paralímpicos
O avanço do paradesporto não se limita a Uberlândia. Outras cidades da região também têm revelado atletas que chegam a competições internacionais. Um exemplo é a atleta paralímpica Poliana Fátima Sousa de Jesus, natural de Uberaba, que já representou o Brasil em Jogos Paralímpicos e conquistou medalha em competições continentais no atletismo. 
O crescimento do esporte adaptado em Minas Gerais acompanha uma tendência nacional. O estado possui uma das maiores representações na delegação brasileira em eventos paralímpicos, com atletas presentes em diversas modalidades e beneficiados por programas de incentivo ao esporte de alto rendimento. 
Inclusão social e formação esportiva
Especialistas apontam que o avanço do paradesporto vai além das medalhas. Projetos esportivos voltados para pessoas com deficiência também têm impacto direto na inclusão social, na autonomia e na qualidade de vida dos atletas.
Ao mesmo tempo, a convocação de atletas da região para seleções nacionais reforça o papel do interior do país na formação de talentos esportivos e evidencia que centros esportivos fora das capitais também podem produzir atletas de alto nível.
Com a preparação para novas competições internacionais ao longo de 2026, a expectativa é que nomes do Triângulo Mineiro continuem ganhando espaço no cenário paralímpico brasileiro e ampliem a visibilidade do paradesporto na região.