O alto nível de endividamento das famílias voltou a acender um alerta no comércio e no setor financeiro. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), analisados pela Fecomércio MG, indicam que 89% das famílias possuem algum tipo de dívida, evidenciando um cenário de forte dependência do crédito no orçamento doméstico.
O levantamento aponta ainda que 64,7% das famílias têm contas em atraso, enquanto 28,6% afirmam não ter condições de quitar suas dívidas no curto prazo, o que reforça sinais de deterioração da saúde financeira de parte da população.
Entre os fatores que mais pressionam o orçamento está o uso do cartão de crédito, que aparece como a principal modalidade de dívida, presente em 96,3% dos casos. Outras formas de endividamento também aparecem com frequência, como crédito pessoal, carnês de lojas e financiamentos de veículos ou imóveis.
Endividamento pesa mais sobre famílias de menor renda
A pesquisa aponta que o endividamento é ainda mais intenso entre famílias com renda de até 10 salários mínimos, onde o índice chega a 90,5%, enquanto entre famílias de maior renda o percentual é de 80,1%.
Entre os consumidores endividados, 72,7% estão inadimplentes, ou seja, possuem contas vencidas e não pagas.
Outro dado que preocupa é o comprometimento da renda. Segundo o relatório, 86,6% das famílias destinam mais de 10% da renda mensal ao pagamento de dívidas, enquanto 26,9% comprometem mais da metade do orçamento familiar com obrigações financeiras.
O tempo médio de atraso nas dívidas também chama atenção: cerca de 48% das contas estão atrasadas há mais de 90 dias, com média geral de 63 dias de atraso.
Reflexos também são percebidos no Triângulo Mineiro
Embora o levantamento tenha como base dados de Belo Horizonte, especialistas apontam que o cenário tende a se repetir em diversas cidades do interior de Minas Gerais, incluindo municípios do Triângulo Mineiro, como Uberaba, Uberlândia, Araguari e Ituiutaba.
Entidades do comércio local têm observado aumento na busca por renegociação de dívidas e maior cautela do consumidor na hora de realizar novas compras.
Segundo representantes do setor, o aumento do custo de vida, aliado à facilidade de acesso ao crédito e aos juros elevados, contribui para o crescimento do endividamento, especialmente entre famílias de menor renda.
Comércio acompanha cenário com cautela
Para o comércio, o aumento da inadimplência exige atenção redobrada. O relatório aponta que o cenário atual reforça a necessidade de estratégias mais conservadoras na concessão de crédito, além de iniciativas voltadas à educação financeira e programas de renegociação de dívidas.
Especialistas avaliam que, sem uma melhora significativa na renda das famílias ou redução dos custos do crédito, o endividamento deve continuar sendo um dos principais desafios econômicos enfrentados pelos consumidores ao longo de 2026.
Enquanto isso, comerciantes e instituições financeiras acompanham de perto o comportamento do consumidor, que tende a manter uma postura mais cautelosa diante de um cenário de orçamento cada vez mais comprometido com dívidas.