

A obra do viaduto da avenida Hítalo Ross, em Araxá, no Alto Paranaíba, passou a ser alvo de investigação da Controladoria Geral da União após auditoria identificar indícios de irregularidades que podem ultrapassar R$ 500 mil.
De acordo com o relatório, o empreendimento, inicialmente orçado em R$ 4,9 milhões, teve o custo elevado para R$ 9,09 milhões após a assinatura de 12 termos aditivos, representando um aumento de 85,5% no valor final da obra.
Entre os principais apontamentos da auditoria estão falhas na formação de preços, como a realização de cotações com apenas um fornecedor, ausência de documentação comprobatória e uso inadequado de tabelas de referência. As inconsistências podem ter contribuído para distorções nos valores pagos, com estimativa de sobrepreço que chega a cerca de R$ 898,6 mil.
O relatório também identificou possíveis pagamentos em duplicidade relacionados ao uso de materiais. Em um dos casos, o percentual de perdas de aço, já previsto no custo, teria sido aplicado novamente nas medições, resultando em pagamento indevido. Além disso, divergências nas quantidades de aço utilizadas em estruturas da obra também foram apontadas.
No campo técnico, foram registradas falhas na execução, como uso de equipamentos sem formalização contratual, alterações estruturais sem novo projeto ou cálculo técnico e problemas em sondagens que teriam comprometido parte da estrutura.
A auditoria ainda destacou fragilidades na fiscalização e no controle da execução da obra. O viaduto foi financiado com recursos federais por meio de convênio, e, diante das irregularidades apontadas, a CGU recomendou a revisão dos valores pagos e a adoção de medidas para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Até o momento, os apontamentos fazem parte de um processo de apuração e não configuram, por si só, decisão definitiva sobre responsabilidades.
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