

Matéria especial jornalista Walter Farnezi
Um acordo entre Mosaic Company e a Rainbow Rare Earths, empresa que tem como objetivo ser pioneira no estabelecimento de uma cadeia de suprimentos independentes de elementos de terras raras que impulsionam a transição para energia verde e outras tecnologias avançadas voltadas para o futuro, pode ser o caminho para viabilizar a continuidade de operações do Complexo de Mineração de Tapira e a Produção do Fosfato em Uberaba, no Distrito Industrial III, unidades erguidas há 50 para a produção de fertilizantes fosfatados, a então Fosfértil.
A Mosaic objetiva a manutenção do Complexo Fosfatado de Uberaba, planejando extrair do gesso, produzido em Uberaba, os elementos das terras raras. Uma decisão que envolve certa dose de complexidade, mas que pode preservar os ativos e compromissos sociais da empresa. Uma busca por uma forma que viabilize a manutenção do custo de produção no complexo Fosfértil.
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com 25% desse território. As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de diversos produtos modernos, em tecnologia de ponta. As terras raras, não são exatamente raras, pois estão espalhadas, em pequenas concentrações, em diversas partes pelo mundo. O grande desafio é encontrar locais onde sua extração seja economicamente viável. A maior concentração desses territórios está na China, que lidera não só a concentração de reserva, mas também o refino. É que depois de extraídos, os elementos passam por processos complexos de separação e refino até se tornarem utilizáveis.
Hoje a Rainbow possui dois projetos com duas grandes oportunidades na área de terras raras em todo o mundo: o primeiro, o Projeto Fhalaborwa, na África do Sul, e agora, no Brasil, em Uberaba, ainda em estágio inicial. Ambos envolvem a recuperação de terras raras a partir de depósitos de fosfogesso, que resultam das operações para o fertilizante fosfatado como subproduto da produção de ácido fosfórico. Com o preço do enxofre chegando a 500 dólares a tonelada, o que, inclusive levou a Mosaic a encerrar atividades da sua unidade em Araxá e a paralisação da usina de Patrocínio, a expectativa é que ofertando um produto em uso em todo o mundo, ela alcançará as condições operacionais mínimas para manter o Complexos Industrial de Uberaba e com isso a produção do fertilizante Fosfatado. Em março deste ano, a Rainbow publicou uma avaliação econômica para Uberaba que confirmou o projeto como a segunda grande oportunidade para a empresa, com potencial para ser uma produtora de terras raras leves e pesadas de longa duração, alta margem de lucro e curto prazo. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) prevê a construção de uma planta de processamento no local para processar os resíduos de fosfogesso com uma capacidade de processamento anual de aproximadamente 2,7 milhões de toneladas ao longo de uma vida útil inicial do projeto de 30 anos. Potencial para estender essa vida útil devido a também longa vida útil da matéria-prima fosfática em Uberaba. De posse dos excelentes resultados financeiros, a Rainbow e a Mosaic assinaram um Acordo Conjunto de Desenvolvimento de Projeto para avançar e realizar um Estudo de Pré-Viabilidade (PFS) para Uberaba.
À comunidade uberabense, compreendida entre poder público municipal, entidades de casse e empresariais, com apoio do Estado, cabe assumir a liderança da sociedade civil e representativa objetivando desenvolver debates para esclarecer os diversos segmentos e públicos em busca soluções que poderão surgir com a desativação parcial e provisória do Complexo de Mineração de Tapira(município fronteiriço a Araxá) e a Unidade de Produção de Uberaba, no Distrito Industrial III.
As terras raras
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de diversos produtos modernos — de smartphones e televisores a câmeras digitais e LEDs. Apesar de usados em pequenas quantidades, eles são insubstituíveis.
O uso mais importante dessas substâncias, no entanto, está na fabricação de ímãs permanentes. Potentes e duráveis, esses ímãs mantêm suas propriedades magnéticas por décadas. Com eles, é possível produzir peças menores e mais leves, algo essencial por exemplo, para tecnologias, turbinas eólicas e veículos elétricos.
Esses elementos também são fundamentais para a indústria de defesa. Estão presentes em aviões de caça, submarinos e equipamentos com telêmetro a laser. Justamente por essa relevância estratégica, o valor comercial é elevado.
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