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OCUPAÇÃO IRREGULAR AMEAÇAVA ÁGUA DE UBERLÂNDIA? AÇÃO DA PREFEITURA ACENDE ALERTA SOBRE RISCO AO ABASTECIMENTO

Relatórios técnicos apontaram riscos ambientais, sanitários e operacionais próximos à captação da ETA Capim Branco; município promete medidas judiciais para impedir novas ocupações.

01/06/2026 às 17h48
Por: Redação
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OCUPAÇÃO IRREGULAR AMEAÇAVA ÁGUA DE UBERLÂNDIA? AÇÃO DA PREFEITURA ACENDE ALERTA SOBRE RISCO AO ABASTECIMENTO

Uma ação coordenada pela Prefeitura de Uberlândia mobilizou diversos órgãos públicos neste sábado (30) para interditar uma ocupação irregular localizada em área de preservação permanente nas proximidades da Estação de Tratamento de Água (ETA) Capim Branco e do dique da usina hidrelétrica Amador Aguiar 1. A medida foi adotada após avaliações técnicas apontarem riscos ambientais, sanitários e operacionais capazes de comprometer o abastecimento de água da cidade e a geração de energia na região.

Segundo a administração municipal, monitoramentos realizados pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) e pelo Consórcio Capim Branco Energia identificaram impactos relacionados ao avanço da ocupação irregular. Entre as preocupações levantadas estão o aumento da poluição da água, prejuízos ao sistema de tratamento e possíveis danos a equipamentos estratégicos utilizados na captação e distribuição de água.

A operação contou com a participação da Defesa Civil Municipal, da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano, das polícias Militar e Civil de Minas Gerais, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e da Marinha do Brasil. Após a intervenção, o município informou que pretende adotar medidas jurídicas contra o proprietário da área para impedir novas ocupações e o comércio irregular de lotes.

De acordo com relatório técnico elaborado pelo Dmae, a área ocupada está localizada próxima a estruturas consideradas estratégicas para o abastecimento da cidade, incluindo a subestação elétrica de 138 kV, linhas de transmissão e equipamentos de bombeamento da ETA Capim Branco. O documento alerta que a continuidade da ocupação poderia ampliar riscos de invasões, furtos, vandalismo e interferências em equipamentos essenciais ao funcionamento do sistema.

Outro ponto que chamou atenção dos técnicos foi o impacto ambiental causado pela supressão de vegetação nativa, movimentação de solo e abertura de vias dentro da Área de Preservação Permanente (APP). Segundo a avaliação, essas intervenções elevam os riscos de erosão e assoreamento do reservatório, aumentando a turbidez da água e os custos necessários para o tratamento. Resíduos sólidos também já foram encontrados próximos ao canal de captação.

Os especialistas também demonstraram preocupação com a ausência de infraestrutura sanitária na área ocupada. Conforme o relatório, o lançamento irregular de esgoto pode favorecer a proliferação de algas, cianobactérias, macrófitas aquáticas e do mexilhão dourado, organismos que afetam diretamente a qualidade da água e a eficiência operacional da estação de tratamento.

Além disso, o documento aponta que atividades recreativas no reservatório, como circulação de embarcações e presença de banhistas, podem aumentar o risco de contaminação por combustíveis, óleos e resíduos sólidos. Em situações mais graves, a qualidade da água poderia ser comprometida a ponto de exigir investimentos elevados em novas tecnologias de tratamento.

Embora a Prefeitura destaque a necessidade de preservar uma estrutura considerada estratégica para o abastecimento de Uberlândia, o caso também reacende debates sobre fiscalização preventiva, expansão urbana e déficit habitacional. Especialistas apontam que situações envolvendo ocupações irregulares exigem equilíbrio entre proteção ambiental, segurança hídrica e políticas públicas voltadas à moradia.

Ao final do relatório, o Dmae recomendou a suspensão imediata de novas ocupações, reforço da fiscalização ambiental, recuperação das áreas degradadas e atuação integrada entre os órgãos responsáveis pela proteção do manancial.

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