

Uberlândia avança no desenvolvimento de novas variedades de maracujá com o objetivo de fortalecer a fruticultura e ampliar a rentabilidade dos produtores rurais. A iniciativa é conduzida pela Fundação de Excelência Rural de Uberlândia (Ferub), em parceria com instituições de pesquisa e empresas do setor, e tem como destaque o maracujá roxo e o maracujá doce conhecido como Pérola do Cerrado.
O maracujá roxo é resultado do cruzamento de variedades já existentes e está sendo desenvolvido por meio de uma parceria entre o viveiro Flora Brasil, de Araguari, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A cultivar encontra-se em fase final de validação, com testes de campo realizados em propriedades de Uberlândia, além dos municípios de Seropédica (RJ) e Cruz das Almas (BA). O lançamento oficial está previsto para ocorrer entre setembro e outubro deste ano.
Já o Pérola do Cerrado está em produção comercial desde 2017 e vem sendo apontado como uma alternativa de alto valor agregado para os produtores. Segundo dados técnicos apresentados pela Ferub, embora o maracujá roxo e o Pérola do Cerrado tenham produtividade em volume ligeiramente inferior à do maracujá amarelo tradicional, ambos oferecem maior estabilidade de preços no mercado, reduzindo a exposição dos agricultores às oscilações de valor.
De acordo com o diretor de Projetos e Pesquisa da Ferub, o engenheiro agrônomo Mayer Andrade Santos, o investimento em novas cultivares busca transformar conhecimento científico em resultados práticos para o campo.
"O desenvolvimento dessas novas cultivares reflete o compromisso da Ferub e da gestão municipal com a inovação no campo. Nosso papel é transformar a pesquisa científica em resultados concretos, garantindo que o agricultor tenha acesso a matrizes que entreguem alto valor agregado e estabilidade comercial", destacou.
Atualmente, Uberlândia possui cerca de 20 produtores de maracujá, cultivando aproximadamente 25 hectares, com produção anual estimada em 500 toneladas da variedade amarela.
Em toda a região, a cadeia produtiva reúne cerca de 150 produtores, distribuídos em 150 hectares, alcançando uma produção de aproximadamente 3 mil toneladas por ano.
Com a validação das novas variedades, a expectativa é de crescimento da área cultivada. Segundo a Ferub, o maracujá roxo poderá ocupar entre 100 e 120 hectares, enquanto o Pérola do Cerrado tem potencial para atingir entre 50 e 60 hectares na região.
Além da pesquisa, a Ferub também investe na qualificação dos produtores rurais. Em junho deste ano, a Fundação realizou, em parceria com o Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), o Dia de Campo Maracujazeiro.
Durante o evento, agricultores receberam orientações sobre adubação, controle de pragas, técnicas de polinização, manejo das novas cultivares e estratégias de comercialização. A iniciativa integra as ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e à adoção de tecnologias que aumentem a produtividade e a competitividade do setor.
A utilização de novas cultivares desenvolvidas com apoio da pesquisa científica acompanha uma tendência do agronegócio brasileiro de diversificar a produção, agregar valor aos produtos e reduzir os impactos das oscilações do mercado, ampliando as oportunidades para os produtores rurais.
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