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E AGORA, JOSÉ?

Escassez de enxofre ameaça produção de fertilizantes, pressiona o agronegócio e acende alerta às vésperas do início do plantio da safra brasileira

25/08/2026 às 21h04 Atualizada em 25/08/2026 às 21h07
Por: Redação
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E AGORA, JOSÉ?

E agora, José?

Um ditado muito popular e de outros tempos diz que “onde tira e não põe, só tende a acabar”. Não se ouve mais ditados populares, mas este pode e encaixa como uma luva nesse momento de angustia sobretudo para a situação que circunda a produção agrícola Nacional. Setembro, justamente o mês em que se inicia o plantio da safra, o produtor rural terá dificuldade em encontrar fertilizante fosfatado como se procurasse uma agulha num paiol. Sim, os estoques de fosfatados do Brasil acabam em algumas semanas, meados de setembro. Quem marca o tempo em que findará os estoques é nada mais que a multinacional Mosaic Companhia. Através de sua vice-presidente executiva, Janny Wang, a norte-americana não alerta, mas diz com todas as letras que as baias estarão vazias já nessa última semana de agosto.

O milho acabou, não tem mais pipoca

Essa coluna vem revelando passo a passo a situação do mercado internacional do enxofre, alertando, e apontando para a situação calamitosa quando chegasse o período de plantio. Janny Wang, diz ainda que o Brasil importou volumes elevados de diferentes tipos de fertilizantes fosfatados no início do ano, antes do agravamento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. E isso permitiu a formação de estoques que foram carregados para os meses seguintes. Por isso, em que pese que a produção global da Mosaic já tenha sido reduzida, os produtores ainda não sentiram integralmente a redução da oferta. “Agora, esse cenário deve mudar com os estoques findando em semanas”, afirma.

Preço alto, produto escasso

O alto preço do enxofre não é o isolado impedimento para a aquisição do insumo pela indústria na produção de fertilizantes fosfatados ou do flúor que adicionamos ao tratamento da água, entre outros produtos. Depois do fechamento do Estreito de Ormuz, uma via marítima entre o golfo Pérsico e o Golfo de Omã, fornecendo a única passagem marítima para o oceano aberto, agora Rússia e China, países produtores, suspenderam as exportações como medida para proteger seus estoques. E é de conhecimento geral que o a falta do insumo afeta diretamente a produção de fertilizantes no Brasil, no mundo. O enxofre é fundamental na produção de fertilizantes para as lavouras.

Choque de oferta e demanda

A demanda de outras cadeias industriais, que pagam uma margem maior do que a cadeia de fertilizante e a agricultura, vem deixando a produção de adubos em dificuldade há tempos, seguindo toda uma evolução tecnológica no mundo digital, por exemplo. O enxofre deixou de ser insumo usado em alta escala somente para produção de ácido sulfúrico, utilizado na indústria de fertilizante fosfatado ou flúor para tratamento da água que bebemos. Além disso, é bem verdade, o enxofre é aplicado há tempos na produção de papel celulose, produção de baterias e outros equipamentos para a tecnologia, como chips e painéis voltaicos. Logo é bastante estratégico para o Brasil e o resto do mundo. Está claro, então, tratar-se e um choque de oferta e demanda nunca visto antes no mercado global de enxofre e ácido sulfúrico.

Apatia e ansiedade

O que deveria, ao menos, nos preocupar diretamente é a apatia reinante nos setores industriais ou na consequente cadeia que depende do insumo para a sua produção, talvez a espera de uma solução política. O que incomoda e desperta a ansiedade do produtor rural, no entanto, é o ritmo de absorção no seio de onde poderia vir a chamada para uma inevitável busca à solução. De 594 congressistas (Câmara e Senado), 345 compõem a bancada do agronegócio, os mais diretos representantes do produtor rural na política de comando Nacional. São 81 senadores, com 50 desses representando a lavoura brasileira nas decisões da política administrativa e estratégia de desenvolvimento da Nação. É a badalada Frente Parlamentar do Agronegócio(FPA).

Discurso simplório

O político em geral quando é abordado com a pergunta sobre o problema, resume e já sentencia em apenas uma frase: “o problema é que o governo federal não quer subsidiar a aquisição do insumo ou simplesmente a produção da Mosaic”. Mais que essa simples observação, um discurso simplório para quem recebe ou está em busca de votos. A questão em si nesse momento sai da esfera ideológica e disputa por cargos e poder, passando pelo desenvolvimento industrial e sobrevida do povo brasileiro. A hora é de guerra ao inimigo comum, nocivo a todos, sem distinção de cor, raça, gênero ou fidelidade partidária. O plantio da safra começa mês que vem e o produtor rural já sofre com a escassez anunciada, vivida por empresas e já em front de batalha com os olhos da produção voltados para a o resultado da colheita desta safra no próximo ano. O Momento passa de uma mobilização geral do agronegócio para um aperto aos seus representantes no parlamento.

A ação imediata

Não existem recursos disponíveis para simplórios subsídios. A alternativa seria realocar os recursos hoje existentes em áreas correlatas e afins. E aí deveria entrar a participação direta do agronegócio de forma a repactuar esses já estabelecidos recursos em busca do reequilíbrio do setor. Cabe agora uma reavaliação nas atuais e vigentes políticas de incentivos e de desoneração do setor visando reequilibrar o setor como um todo. A hora é de um por todos e todos por um. Esses recursos não estão estocados e disponíveis para “subsídios”, como quer o político, mas deveriam ser garimpados em áreas afins ao agronegócio, que, entre todos os demais setores da economia, estão na linha de frente dos resultados a serem alcançados pelas medidas adotadas.

Investimento de 1 US$ bilhão

Com tudo, as empresas produtoras de fertilizantes seguem paralisando ou mesmo fechando plantas industriais, demitindo ou dando férias aos colaboradores sob aparente peso da esperança de que é apenas uma restrição até a crise do enxofre passar. Não vai passar, se não mudar os caminhos para a produção de insumos e,consequentemente, dos fertilizantes. É hora de mudar de estrada deixar os caminhos lamacentos do brejo por onde a vaca atolou. Vamos pelo chão batido, e pronto. Para se ter uma ideia, a EuroChem, uma multinacional, uma líder global em nutrição de plantas com produção de fertilizantes à base de nitrogênio, fósforo e potássio(NPK), detendo o maior projeto fora da Europa, no comando do Complexo Mineroindustrial da Serra do Salitre, no Alto Paranaíba, anuncia suspensão da produção e de contratos com 600 colaboradores por um período de três meses a partir de setembro, diante a escassez do principal insumo, o enxofre. Em Serra do Salitre, o complexo foi inaugurado há dois anos com o propósito de ajudar o Brasil a diminuir a dependência de fertilizantes importados( o país importa 90%), agora anuncia a redução de atividades, depois de seu investimento de US$ 1 bilhão. Hoje, seus estoques permitem apenas uma certa normalidade de produção até setembro.

Capacidade de 1 milhão de toneladas

A Multinacional, porém, divulgou e observou aos seus 1.100 trabalhadores que a companhia estuda conjuntamente a paralisação anunciada para setembro, alternativas com fornecedores e entidades do setor e Governo Federal uma saída para tentar ampliar a oferta disponível no mercado brasileiro. A EuroChem veio para o Brasil projetando uma capacidade de produção em 1 milhão de toneladas por ano, volume que poderia representar aproximadamente 15% da produção brasileira de fertilizante fosfatado. O empreendimento reúne mina de fosfato a céu aberto, beneficiamento mineral, produção de ácidos e fabricação de fertilizantes. Intrigante no contraditório é que o projeto utiliza fosfato extraído em Minas Gerais, mas está exposto à disponibilidade internacional do enxofre, o que demonstra que aumentar a produção doméstica não elimina automaticamente a dependência externa da cadeia.

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