

Uberaba chegou ao fim de 2025 com um centro da cidade que mais parece um cenário de crise econômica do que um polo comercial pulsante. Para tentar mudar esse quadro, a Prefeitura encaminhou ao Legislativo o polêmico projeto de lei que prevê incentivos fiscais para atrair novos investimentos, estimular contratações e reocupar imóveis vazios na região central — um capítulo que promete ser decisivo na história da economia local.
A proposta, elaborada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e debatida com vereadores e lideranças empresariais em reunião realizada no dia 10 de dezembro, é celebrada por alguns como um passo necessário para “devolver vida ao Centro”; por outros, despertou críticas por chegar tardiamente diante de anos de dificuldades enfrentadas pelos comerciantes.
O secretário de Governo, Beethoven de Oliveira, enfatiza que a iniciativa é “apenas o princípio” de um conjunto maior de ações prometidas pela prefeita Elisa Araújo. A estratégia, nas palavras dele, inclui a articulação entre diversas secretarias para promover reformas e uma agenda de intervenções ao longo do mandato.
Entre os pontos centrais do projeto está a possibilidade de concessão de benefícios como isenções ou reduções de tributos municipais — incluindo ISSQN, IPTU e taxas diversas — desde que as empresas participantes gerem empregos ou se comprometam com a reocupação de imóveis ociosos. Há ainda a previsão de estímulos urbanísticos e apoio a iniciativas culturais e residenciais no entorno do Centro.
Esse movimento não é um ponto isolado: nos últimos anos, a Prefeitura e a Câmara aprovaram diferentes iniciativas de incentivo à economia local. Em 2024, a Câmara Municipal autorizou doações de áreas públicas e concessão de estímulos a empreendimentos no município, com foco em geração de empregos e novos investimentos.
Outra frente foi o lançamento do programa “Uberaba Compra e Vende Mais”, voltado a fortalecer a participação de empresas locais nas compras públicas da Prefeitura, com capacitações e suporte técnico para que pequenos e médios negócios tenham acesso mais fácil a licitações.
Apesar dessas iniciativas, o centro da cidade ainda carrega sinais de um comércio em estagnação: ruas e avenidas marcadas por lojas fechadas ou com pouco movimento, reflexo de anos de desafios estruturais e de iniciativas que, embora bem-intencionadas, não conseguiram renovar completamente o tecido econômico dessa área.
Representantes do setor produtivo, como a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba (ACIU) e a Associação para Desenvolvimento de Uberaba (Adub), participaram da reunião na Câmara e consideraram a proposta um passo importante, destacando a necessidade de parceria entre setor público e privado.
O presidente da Câmara, vereador Ismar Vicente dos Santos — Marão, reforçou a importância de votar o projeto na sessão marcada para 16 de dezembro, ressaltando que a pauta trata de incentivos e não de “aumento de impostos”, uma sinalização clara da tentativa de criar um ambiente de estímulo à economia local.
Críticos, porém, questionam se medidas fiscais isoladas bastam para reverter um cenário de décadas de desafios no comércio de Uberaba, lembrando que revitalização urbana passa também por melhoria de infraestrutura, segurança e políticas integradas de longo prazo.
Um fato é claro: o debate sobre o futuro econômico do centro de Uberaba está longe de se encerrar, e as próximas semanas podem ser decisivas para definir se as propostas serão capazes de transformar promessas em resultados palpáveis para comerciantes, trabalhadores e moradores da cidade.
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