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Reajuste do ICMS deve pressionar preços dos combustíveis e pesar no bolso do Triângulo Mineiro em 2026

Aumento aprovado pelo Confaz entra em vigor em janeiro, encarece gasolina, diesel e gás de cozinha e reacende debate sobre custo logístico, inflação regional e arrecadação dos estados

14/12/2025 às 19h26
Por: Redação
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Reajuste do ICMS deve pressionar preços dos combustíveis e pesar no bolso do Triângulo Mineiro em 2026

A virada do calendário para 2026 já chega com combustível inflamável no sentido econômico. A partir de 1º de janeiro, entram em vigor os novos valores do ICMS sobre combustíveis em todo o país, aprovados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária, o Confaz. O reajuste atinge gasolina, diesel e gás de cozinha, o GLP, e deve provocar reflexos diretos no custo de vida e na cadeia produtiva do Triângulo Mineiro, uma das regiões mais dependentes do transporte rodoviário em Minas Gerais.

 

Pelo novo modelo, a gasolina terá o ICMS elevado de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro, alta de 6,8%. O diesel e o biodiesel passam de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro, aumento de 4,4%. Já o GLP, essencial para o consumo doméstico, sobe de R$ 1,39 para R$ 1,47 por quilo, reajuste de 5,7%.

 

Embora o imposto seja cobrado de forma fixa desde 2022, igual em todos os estados, especialistas alertam que os reajustes periódicos passaram a funcionar como um gatilho direto de pressão sobre os preços finais.

 

 

Triângulo Mineiro: efeito em cadeia

 

 

No Triângulo Mineiro, onde cidades como Uberaba, Uberlândia, Araxá e Ituiutaba concentram forte atividade agroindustrial, logística e comercial, o impacto tende a ser ampliado. A região depende majoritariamente do transporte rodoviário para escoamento de grãos, proteína animal, insumos agrícolas e produtos industrializados.

 

Segundo dados do setor de transporte, mais de 65% da logística regional é feita por caminhões, o que torna o diesel um insumo estratégico. Qualquer elevação de custo tende a ser repassada ao frete, afetando preços de alimentos, materiais de construção e mercadorias em geral.

 

No caso da gasolina, o impacto se espalha pelo consumo urbano. Uberlândia e Uberaba estão entre os maiores mercados consumidores de combustíveis de Minas Gerais fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com frotas que crescem acima da média estadual. Um reajuste aparentemente pequeno no imposto, quando multiplicado por milhões de litros ao mês, pesa no orçamento das famílias e das empresas.

 

 

Gás de cozinha: pressão social

 

 

O aumento do ICMS sobre o GLP acende um alerta social. O gás de cozinha já é um dos itens mais sensíveis da cesta básica indireta, especialmente para famílias de baixa renda. No Triângulo Mineiro, programas sociais e entidades assistenciais relatam que o custo do botijão é um dos principais fatores de vulnerabilidade doméstica.

 

Mesmo que o reajuste não seja integralmente repassado de imediato, economistas avaliam que ele reduz a margem de manobra do mercado e aumenta a probabilidade de reajustes ao longo do ano.

 

 

Previsibilidade com custo político

 

 

O modelo de alíquota fixa foi criado para dar previsibilidade tributária e evitar disputas entre estados. Funcionou nesse aspecto. Mas, na prática, cada atualização do ICMS recoloca o imposto no centro do debate nacional, especialmente em regiões produtivas como o Triângulo Mineiro, onde combustível não é luxo, é infraestrutura.

 

De acordo com o Confaz, a atualização considera a média nacional de preços e a necessidade de recompor a arrecadação estadual, já que o ICMS segue sendo a principal fonte de receita dos governos estaduais. Ainda assim, o reajuste ocorre em um cenário de inflação pressionada e crescimento econômico moderado.

 

 

O que muda na prática

 

 

O impacto final no preço ao consumidor vai depender de fatores como política de preços das refinarias, câmbio, mercado internacional do petróleo e margens de distribuição. Mas o recado é claro. 2026 começa com mais imposto no tanque, no fogão e na estrada.

 

No Triângulo Mineiro, onde tudo se move sobre rodas, o reajuste do ICMS não é apenas um dado técnico. É um custo silencioso que atravessa a economia regional inteira, do campo à cidade, da indústria à mesa do consumidor.

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