A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu está ampliando sua atuação estratégica em Brasília e assumindo papel cada vez mais ativo nas discussões que moldam o futuro da pecuária nacional. A entidade intensificou sua presença institucional na capital federal, especialmente por meio do Instituto Pensar Agropecuária, considerado braço técnico da Frente Parlamentar da Agropecuária, a maior bancada do Congresso Nacional.
A movimentação não se resume a acompanhamento pontual de pautas. Trata-se de uma atuação estruturada, com participação em 14 conselhos e comissões dentro do IPA, incluindo Conselho Fiscal, Conselho Deliberativo e Conselho Jurídico, além de grupos temáticos como Relações Internacionais, Ambiental, Trabalhista, Política Agrícola, Direito de Propriedade, Tributária, Defesa Agropecuária e Infraestrutura.
Para o setor produtivo do Triângulo Mineiro, onde a pecuária zebuína tem peso histórico e econômico relevante, essa articulação em Brasília é vista como estratégica. A região concentra criadores, frigoríficos e uma cadeia produtiva que depende diretamente de decisões legislativas sobre tributação, meio ambiente, demarcação de terras, segurança no campo e legislação trabalhista.
O diretor da ABCZ, Jorge Pires de Miranda, responsável pelo relacionamento da entidade com o IPA, afirma que o momento exige presença ativa. Segundo ele, o Brasil evoluiu muito dentro da porteira, com ganhos em qualidade genética e produtividade, mas ainda precisa avançar fora dela, no ambiente regulatório e institucional.
Entre os temas que estão no radar da entidade estão debates sobre mudanças trabalhistas, como o possível fim da escala 6x1, discussões relacionadas ao marco temporal e novas demarcações de terras, além da implementação da nova legislação fiscal.
A preocupação central é garantir segurança jurídica ao produtor rural. De acordo com Pires, propriedades produtivas há décadas podem ser impactadas por novas interpretações legais, o que exige acompanhamento constante e articulação técnica.
O advogado Eduardo Diamantino, membro titular da Comissão Tributária do IPA e representante da ABCZ nas discussões legislativas, destaca que a atuação começa antes da publicação das leis. Ele cita como exemplo a Reforma Tributária, na qual a inclusão do Zebu como insumo agrícola permitiu diferimento tributário, fortalecendo a atividade e oferecendo maior previsibilidade ao produtor.
Para a ABCZ, ocupar espaço em Brasília é uma forma de defender não apenas o criador individual, mas toda a cadeia produtiva da carne brasileira, que tem peso significativo nas exportações e na economia nacional.
Em um cenário de disputas regulatórias e mudanças legislativas frequentes, a presença técnica e articulada da entidade reforça a estratégia de influenciar decisões ainda na fase de formulação, evitando impactos negativos posteriores.
A disputa pelo futuro do agro não acontece apenas nas fazendas, mas também nos corredores do Congresso. E a ABCZ decidiu estar presente onde as regras são definidas.







