

O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba passaram a integrar uma estratégia considerada decisiva para o futuro da citricultura em Minas Gerais. Produtores rurais, em parceria com o Sistema Faemg Senar e sindicatos da região, lançaram o chamado “Cinturão Antigreening”, iniciativa que busca conter o avanço da principal doença que atinge plantações de citros no mundo.
O projeto abrange uma área superior a 150 mil km² e inclui também o Noroeste mineiro. O objetivo é proteger os pomares, reduzir o risco de disseminação da doença e garantir a continuidade dos investimentos no setor, que é responsável por milhares de empregos.
Atualmente, o Triângulo Mineiro é o principal polo citrícola do estado, respondendo por cerca de 50% da produção de citros em 2024. Minas Gerais ocupa a segunda posição nacional na produção de laranja, limão e tangerina, segundo dados do IBGE, e vem ampliando sua área cultivada nos últimos anos.
A principal preocupação dos produtores é o avanço do greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), doença considerada a mais devastadora da citricultura. Já presente em estados como São Paulo, Bahia e Sergipe, além de regiões internacionais como a Flórida, nos Estados Unidos, o problema não tem cura e pode comprometer toda a produção.
Entre as medidas adotadas no cinturão estão o monitoramento constante das lavouras, eliminação de plantas hospedeiras e respostas rápidas a possíveis focos da doença. Um dos exemplos práticos já implementados é a proibição do plantio da murta em cidades como Araxá, Sacramento e Ibiá, por ser uma planta que favorece a proliferação do inseto transmissor.
Apesar do cenário de risco, produtores seguem investindo na cultura. Em Ibiá, por exemplo, novas áreas vêm sendo implantadas com expectativa de alta produtividade nos próximos anos, reforçando a confiança no potencial da região.
Especialistas destacam que a citricultura brasileira possui importância global, sendo responsável por grande parte da produção mundial de suco de laranja. No entanto, o avanço do greening representa um desafio sanitário significativo, já que a doença é transmitida por um inseto altamente móvel, capaz de se espalhar rapidamente entre os pomares.
Dados recentes indicam aumento na incidência da doença em regiões próximas, o que reforça a necessidade de ações preventivas. Experiências internacionais mostram o impacto econômico do problema, com prejuízos expressivos e queda na produtividade.
A criação do cinturão antigreening é vista como uma tentativa de antecipar esse cenário e proteger uma das cadeias produtivas mais importantes do agronegócio mineiro.
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