

A mudança no comando do Partido Progressistas (PP) em Uberaba revelou um cenário de forte tensão política, marcado por articulações rápidas, disputas de bastidores e sinais claros de ruptura entre antigos aliados.
A nova comissão provisória, com vigência entre 18 de abril e 15 de outubro de 2026, colocou no comando do partido o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Celso de Almeida Afonso Neto, que até recentemente integrava o PSD, mesma legenda da prefeita Elisa Araújo.
A troca de comando ocorre logo após a saída do ex-deputado Franco Cartafina, que deixou o PP para se filiar ao Podemos, buscando viabilidade eleitoral para disputar novamente uma vaga na Câmara Federal. A saída abriu espaço para uma movimentação considerada rápida e estratégica do grupo da prefeita, que articulou diretamente com o presidente estadual do partido, Pinheirinho, para assumir o controle da sigla no município.
A nova executiva evidencia essa mudança de comando. Além de Celso Neto na presidência, o secretário de Mobilidade, Ulisses Lamas, assume como secretário-geral. Anna Maia, ligada à área social do governo, ocupa a secretaria. Também integram a estrutura nomes diretamente vinculados à gestão municipal, como Alexandre Cury e Maria Aparecida Basílio.
O redesenho político indica, de forma clara, que o PP passa a integrar a base da prefeita, consolidando mais um espaço de influência dentro do cenário eleitoral local.
Mas o ponto que mais chama atenção e intensifica o debate político envolve a vereadora Ellen Miziara. A presença de seu marido, Lincoln Miziara, na vice-presidência do partido ocorre justamente no momento em que o PP passa para a base do governo.
A situação levanta um questionamento direto e inevitável no meio político: uma vereadora que até então era associada à oposição agora passa, na prática, a ter ligação direta com a base da prefeita? A ausência de um posicionamento público oficial amplia ainda mais a repercussão e alimenta dúvidas sobre uma possível mudança de alinhamento político.
Outro foco de tensão está na posição do vereador Caio Godoi, único representante do PP na Câmara Municipal e historicamente alinhado a Franco Cartafina. A mudança de comando do partido coloca Caio em uma situação política delicada, já que a sigla passa a integrar o governo municipal enquanto ele mantém proximidade com um grupo político adversário da prefeita.
Nos bastidores, a leitura é de que a movimentação enfraquece o grupo ligado a Franco dentro da estrutura partidária local, ao mesmo tempo em que fortalece o bloco governista. A articulação também evidencia um embate direto por espaço político e influência eleitoral em Uberaba.
Enquanto isso, o novo presidente do partido, Celso Neto, defende a mudança como um novo momento para a sigla, afirmando que o PP caminhará junto com o grupo da prefeita e do vice-prefeito Mauricinho, com foco em fortalecimento político e organização interna.
A disputa, no entanto, vai além do discurso institucional. A definição de uma candidatura própria do partido para deputado federal amplia ainda mais o cenário de concorrência política na cidade, que já conta com múltiplos nomes na disputa, aumentando o risco de fragmentação da representação local em Brasília.
No pano de fundo, a movimentação ocorre em um contexto nacional em que o PP é presidido pelo senador Ciro Nogueira, citado em reportagens sobre investigações relacionadas ao Banco Master. O parlamentar nega qualquer irregularidade.
Diante desse cenário, Uberaba entra em um momento de forte instabilidade política, onde alianças são redesenhadas, posições são colocadas em dúvida e o controle partidário se torna peça-chave em uma disputa que promete se intensificar até as eleições.
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