

“Morada do futuro”
As obras de canalização do córrego da avenida Leopoldino de Oliveira em fase final de execução, via aberta em quatro pistas de rolamentos marcavam o sinal dos tempos. Uberaba seria a grande metrópole do futuro nas palavras do prefeito Silvério Cartafina. “Uberaba: morada do futuro” era a manchete do diário, grafada em letras garrafais. Políticos, lideranças empresariais, entidades, comemoravam solenemente o início das obras do novo caminho para o Distrito Industria III(Delta), chamado então por “Avenidão”. Mais tarde recebendo o nome de Filomena Cartafina, uma homenagem do prefeito à memória de sua mãe.
O ano de 1979 foi de palanques, inaugurações, projeções e sonhos de uma Uberaba mais forte e mais representativa. Ainda no primeiro semestre, a Valefértil, um canteiro de obras que já empregava um elevado número de uberabense, comemorava a chegada da rocha fosfática, transportada em mineroduto de 120 quilômetros desde a unidade da Valep( em Tapira) até ao DI-III de Uberaba. A diretoria da Valefértil, que já se preparava internamente para se tornar a Fosfértil Fertilizantes, anunciava os resultados do primeiro teste no beneficiamento do minério com produção de três mil toneladas em 17 horas, envolvendo a mão de obra de 80 pessoas. Era só o começo, dez anos depois a Fosfértil contava com mais de três mil colaboradores em suas unidades, instaladas em Uberaba, Tapira(município vizinho a Araxá) e Patos de Minas.
Dependência externa
Um polo de fertilizantes, realmente de destaque no cenário agrícola nacional e porque não internacional, pois ao mesmo tempo comemorava-se a chegada da primeira tonelada de insumos, vindo da Rússia, que comporiam o produto final, o fertilizante fosfatado. “Valep aproxima o Brasil da auto-suficiência em fosfato”. Outra manchete que enchia Uberaba e região do Triângulo Mineiro de orgulho. Era mesmo motivo de comemoração naqueles tempos. Comemorava-se a chegada do enxofre, apostando na alto-suficiência de um produto final, que alavancaria uma super produção agrícola, mesmo sabendo que isso não nos livraria de alta dependência externa, importando 95% do insumo para a produção do ácido sulfúrico.
Nada é para sempre
Há cinquenta anos, se considerarmos o início das obras(1977), era mesmo um avanço rumo a prosperidade do município no sonho dos uberabenses. Nas voltas que o mundo dá, no entanto, ninguém no seio comum dos habitantes das terras de Major Eustáquio, imaginaria que, depois de tantas idas e vindas, saindo do controle estatal para a iniciativa privada, hoje o promissor negócio para todos mudaria de mãos e, na continuidade da dependência externa, enfrentaria situações com novidades tecnológicas e suas alterações na cadeia produtiva, trazendo projetos e avanços no ritmo do mundo moderno, com destaque para a energia renovável, seu biocombustível e o chamado fertilizante verde. Por fim, neste 2026, a região, Minas Gerais, e porque não, o país no mundo agrícola são surpreendidos com o anuncio da Mosaic, empresa americana, responsável pelas unidades de produção do fosfatado, de fechamento e paralização de duas unidades produtivas, uma em Araxá e outra e Patrocínio. O motivo explicito é a alta avassaladora do preço do enxofre, que saiu de 80 dólares para 500 dólares a tonelada. Mas, e a unidade de produção de propriedade também da Mosaic, em Uberaba, como fica?
O que ocorrerá, uma vez que a unidade de Araxá produzia o Super Fosfato Simples(SSP) e a de Uberaba produz o Super Fosfato Triplo(TSP), fertilizantes fosfatados para o fornecimento de fósforo e cálcio ao solo? Os dois tem como principal matéria prima na sua produção, o enxofre, o qual o Brasil importa algo em torno de 95%. A diferença entre o fosfatado produzido em Araxá e o de Uberaba é a concentração maior no TSP.
A Mosaic objetiva a manutenção do Complexo Fosfatado de Uberaba, planejando extrair do gesso, produzido em Uberaba, os elementos das terras raras. Uma decisão que envolve certa dose de complexidade, mas que pode preservar os ativos e compromissos sociais da empresa. Uma busca por uma forma que viabilize a manutenção do custo de produção no complexo Fosfértil. Para tanto, estabelece acordo com a Rainbow Rare Earths, empresa que tem como objetivo ser pioneira na formação de uma cadeia de suprimentos independentes de elementos de terras raras, que impulsionem a transição para a energia verde e outras tecnologias avançadas voltadas para o futuro, e esse pode ser o caminho para viabilizar a continuidade das operações do Complexo de Mineração de Tapira e a produção do fosfatado em Uberaba, precisamente no Distrito Industrial de Delta, o DI-III. A Mosaic projeta a manutenção da unidade de produção, em Uberaba, extraindo do gesso agrícola, um subproduto fosfatado, os elementos e terras raras. Realmente, essa pode ser a saída na “salvação da Lavoura”, literalmente, como grafamos em matéria abordando a questão semana passada aqui no Triângulo Notícia. Na próxima semana, seguiremos, em detalhes, com essa projeção auspiciosa.
Fonte de pesquisa: Arquivo Público de Uberaba
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