

Mosaic
Em Uberaba, pouco se fala do que realmente está ocorrendo com a Mosaic, empresa que assumiu a produção de fertilizantes fosfatados em uma planta industrial com operações iniciadas no final da década de 1970, o que configurou um grande marco desenvolvimentista para a época.
A empresa paralisou sua produção de superfosfato simples em Araxá, em dezembro do ano passado. Quatro meses depois, colocou ativos à venda e reconheceu perdas contábeis de US$ 400 milhões. Chegava ao fim a operação de uma estrutura capaz de produzir 1,1 milhão de toneladas por ano, o equivalente a 27% da capacidade da empresa no Brasil.
Enxofre
Trata-se de uma multinacional norte-americana, uma das maiores do setor de mineração e produção de fertilizantes fosfatados.
Mais que motivos técnicos levaram a empresa a essa decisão, pois o enxofre, matéria-prima essencial para a produção do fertilizante, saiu de US$ 80 para US$ 500 por tonelada.
Acontece que, durante décadas, o agronegócio se habituou a ver o enxofre como um subproduto barato da indústria de petróleo e gás.
Transição
Entramos na era da transição energética e um novo competidor entrou no mercado. O que era resíduo industrial passou a ser comercializado estrategicamente para o processamento de minerais críticos para baterias, por exemplo.
Além disso, o setor de metais passou a pagar bem mais do que a agricultura consegue absorver. Somado a tudo isso, veio também o conflito no Oriente Médio. A pressão subiu, pois o enxofre que chega ao Brasil passa pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
Dificuldades
O obscurantismo fica evidente se considerarmos que, para cada dez toneladas de fertilizantes fosfatados produzidas, são necessárias quatro toneladas de enxofre.
O resultado de tudo isso reflete em toda a cadeia do agronegócio, que sente as dificuldades da empresa que opera 70% da rocha fosfática no Brasil.
O produtor rural se vira como pode, reduz a tecnologia por hectare nas lavouras e, diante do cenário dos estoques, busca socorro ao armazenar adubo, demonstrando sua real preocupação com o plantio da próxima safra, que se inicia em setembro/outubro.
Quem não conseguir comprar vai plantar com menos adubo. E, com isso, virá a queda na produtividade.
Contribuição
A luta do país nos tempos de criação da Fosfértil, em Uberaba, com rocha fosfática transportada por mineroduto de 120 quilômetros de Tapira (próximo a Araxá) até o DI III, às margens do Rio Grande, era para ampliar a produção de grãos, estimada à época em 50 milhões de toneladas.
A colheita histórica marcou o início de uma grande transformação na agricultura tropical, sendo o ponto de partida para o Brasil se tornar uma potência agropecuária.
Na safra 2025/2026, o país atingiu a marca de 358 milhões de toneladas de grãos.
O que ocorre em tempos de transição é que o mundo da biotecnologia avança em todos os setores e, na agricultura, não seria diferente.
Enquanto luta para se adaptar, a multinacional mantém unidade de mineração em Uberaba. Uma questão de momento, sinal dos tempos.
É preciso estudar para entender. É preciso ouvir quem estuda para aprender.
Uberaba, uma comunidade responsável pelos processos desenvolvimentistas tradicionais no avanço e crescimento do país rumo ao Centro-Oeste, precisa se reunir para entender e contribuir com esse momento de transformação mundial de mercado.
Do contrário, perde o bonde da própria história.
Cavalo Passando
É preciso entender o que pretende uma multinacional como a Mosaic, que caminha neste momento para conduzir até mesmo seu potencial como polo na produção de fertilizantes, iniciado a partir da década de 1980, e assim considerar, olhando para o futuro, ações que preservem suas estruturas internas na canalização de bens e serviços para a população.
Isso envolve dividendos no comércio e em atividades correlatas da economia.
O que ocorre é que a multinacional atua agora na “salvação da lavoura”, e é isso que a comunidade precisa compreender e colocar em debate, sob pena de perder o cavalo que passa arreado.
Parcerias
Depois de firmar acordo com a Rainbow Rare Earths, empresa que tem como objetivo ser pioneira no estabelecimento de uma cadeia de suprimentos independentes de elementos de terras raras que impulsionam a transição para energia verde e outras tecnologias avançadas voltadas para o futuro, a Mosaic Companhia agora firma uma parceria com a Inpasa.
O acordo prevê, sem exclusividade, o fornecimento de insumos agrícolas via troca de grãos para a cadeia do milho.
O objetivo seria facilitar o acesso de produtores rurais a fertilizantes foliares — adubo aplicado diretamente nas folhas das plantas — e soluções biológicas, utilizando estruturas de comercialização em que os insumos são pagos com parte da produção agrícola.
A iniciativa está direcionada a produtores ligados à cadeia do milho.
O detalhe é que a Inpasa atua na produção de etanol de milho.
Biocombustíveis
A Inpasa, empresa fundada no Paraguai em 2006, é uma biorrefinaria de grãos que utiliza como matérias-primas o milho e o sorgo, empregados na produção de biocombustíveis e óleos vegetais.
No Brasil, sua primeira unidade, inaugurada em 2018, está em Sinop (MT). De lá para cá, instalou unidades também em Nova Mutum (MT), Dourados (MS), Sidrolândia (MS), Balsas (MA), além de projetos em Luís Eduardo Magalhães (BA) e Rio Verde (GO).
Autorização
Outro detalhe importante nesse momento de avanço da indústria do etanol de milho está na autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a operação da primeira indústria de etanol de milho em Porto Alegre do Norte, no Vale do Araguaia (MT).
A planta pertence à 3Tentos Agroindustrial, rede de agronegócios que atua principalmente no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e região Norte, com 72 lojas, três parques industriais, dois centros de pesquisa tecnológica, duas unidades de beneficiamento de sementes e uma unidade misturadora de fertilizantes.
A nova unidade vai processar 2,8 mil toneladas de milho por dia.
A capacidade de produção estimada é de 1.275 m³ por dia de etanol hidratado e 1.215 m³ por dia de etanol anidro.
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