

O previsto
A Mosaic anunciou a paralização das atividades em Tapira, onde, há mais 45 anos a rocha fosfática é extraída e enviada por mineroduto de 120 quilômetros ao DI-III, em Uberaba para o beneficiamento e fabricação do fertilizante fosfatado. Uma medida aguardada há, no mínimo, dois meses por essa Coluna, que vinha alertando a comunidade sobre os caminhos e avanço da crise que atinge a produção de fertilizantes. Enquanto se repagina no setor produtivo do fertilizantes, a empresa estuda e planeja caminhos traçados pelos rumos da transição energética mundial.
Coincidências
As decisões da multinacional, que antes atingiram as unidades de Araxá e Patrocínio, agora coincidem com o processo de destravamento nacional na expansão do gás industrial no âmbito da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP. Se para o mundo do agronegócio a “salvação da lavoura” era a exploração de elementos químicos de terras raras, constantes no subproduto fosfogesso, agora, se acompanharmos as evoluções no âmbito de Governo Federal do final do mês de maio, encontraremos fortes e firmes passos para a chegada do precioso gás ao Distrito Industrial, instalado a partir de 1977 à margem do rio Grande.
Mais próximo
O que se pode comemorar no momento, é o fato de que o gás nunca esteve tão perto de Uberaba como agora. Bem diferente dos tempos de interrupção de um processo em andamento, quando movimento de campanhas eleitorais conseguiram desviar a atenção do trajeto do gasoduto, que já estava desde então a pouco mais de 200 km de Uberaba, para um fantasioso projeto que alterava o trajeto, supostamente trazendo o gás de Betim, passando por regiões e municípios interioranos no carreamento de votos. Hoje, ao contrário, a chegada do gás a Uberaba, envolve muito mais que recursos para instalar tubulações, mas, sim, ações em Brasília que, junto ao mundo empresarial do setor de fertilizantes nitrogenados, desenvolvem estudos e estratégias que permitam um custo do produto acessíveis às empresas e possam atrair o comando destas no setor.
Escoamento do gás
Na semana passada, precisamente em 29 de maio, ANP criou condições muito favoráveis para Uberaba e o restante do país ter o gás a preços que viabilizam a vinda das fábricas de fertilizantes nitrogenados. Ocorre que a diretoria colegiada da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) formou maioria de quatro votos na sexta-feira (29) para implementar a comissão responsável pela regulação das tratativas para que a PPSA (Pré-Sal Petróleo S/A) acesse infraestruturas de escoamento e processamento de gás natural da Petrobras e petroleiras sócias no pré-sal.
Preços competitivos
No entanto, o diretor geral da ANP, Artur Walt, pediu vistas do processo por um período de 30 dias sobretudo em se tratando de acesso a terceiros”. Além de analisar o processo, o diretor alegou ganho de tempo para acordo entre as partes. Agora, a instalação da comissão estabelece estudos técnicos para indicar à diretoria da ANP o melhor caminho a ser seguido de forma a arbitrar o acesso aos equipamentos da estatal para a PPSA. O foco está em acordo junto à Patrobrás com objetivo de alcançar preços competitivos nos leilões de gás.
Redução de custos
O processo é relatado pelo diretor Pietro Mendes, que foi acompanhado por Fernando Moura, Daniel Maia e Symone Araújo no voto pelo estabelecimento da comissão. Eles destacaram a urgência de resolução do imbróglio. Mesmo postergando a decisão, o diretor geral Artur Watt solicitou reconfiguração dos integrantes da comissão, o que foi assentido pelos colegas. Para coordenar o grupo foi escolhida a superintendente adjunta de Desenvolvimento e Produção da agência, Maira Bonafe. De imediato, o que temos como avanço seria o fato de que com o adiamento da decisão sobre a abertura de consulta pública para novas regras de acesso a gasodutos e instalação de unidades de processamento de gás natural é que a medida pode reduzir o custo final do insumo.
O apoio empresarial
Na reunião do dia 29 de maio, quando se esperava a aprovação para a consulta pública que permitiria o acesso não discriminatório por terceiros gasodutos e unidades de processamento de gás natural, que tinha como destaque na pauta também, a avaliação de atualizações regulatórias a partir da aprovação da Lei do Gás, em 2021, o apoio incisivo veio de 29 entidades do setor produtivo ligadas ao mercado de gás natural. Empresas produtoras, distribuidoras e grandes consumidoras de energia publicaram um manifesto em defesa do desenvolvimento do setor.
Formar multiplicadores
O que lideranças empresariais de Uberaba e região tem como pauta, no momento, é a dedicação em estudo e debates que permitam entender mais que a busca por mudanças de rumos da Mosaic para suas unidades produtoras, mas, sim, o que se trata na condução da chegada do gás industrial e consequente vinda de empresas que já dominam de certa forma o setor de nitrogenados, biocombustíveis e o novo momento mundial com sua transição energética. Se a política concentra esforços em discussões mais populares como a verdadeira data de aniversário da cidade de Uberaba, sobre a importância do pastel da feira livre ou se o crucial na visão dos candidatos seria a eleição de um uberabense caçador de emendas orçamentária para compra de um bebedouro e ventiladores para a escola, os empresários em suas entidades e associações representativas têm outro papel neste momento. É preciso dar espaço a debater com quem acompanha, entende o processo e forme multiplicadores na opinião pública.
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