O Novembro Roxo, campanha de conscientização sobre a prematuridade, chama a atenção para a importância da continuidade dos cuidados médicos com bebês que nasceram antes das 37 semanas de gestação. Mesmo após receberem alta hospitalar, essas crianças podem necessitar de acompanhamento especializado para garantir atenção adequada ao crescimento e ao desenvolvimento.
Desenvolvida em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e entidades dedicadas ao tema, a campanha de 2026 tem como slogan “Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro”.
A iniciativa reforça que os cuidados não devem se limitar ao período de internação neonatal, mas continuar de acordo com as necessidades de cada criança.
Segundo a diretora executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani, a atenção à prematuridade esteve historicamente concentrada na sobrevivência dos bebês e nos desafios enfrentados durante a internação hospitalar.
Entretanto, a especialista destaca que as famílias continuam precisando de orientações, acesso a profissionais especializados e apoio para acompanhar o desenvolvimento dos filhos após o retorno para casa.
Suguitani também ressalta que o acompanhamento adequado não elimina todos os riscos relacionados à prematuridade, mas contribui para identificar necessidades e oferecer intervenções no momento apropriado.
Um levantamento baseado em dados da DRG Brasil, desenvolvida pelo Grupo IAG Saúde, identificou 75.301 internações relacionadas ao nascimento de bebês prematuros entre janeiro de 2022 e junho de 2026.
Desse total, 53,7% envolveram necessidade de cuidados intensivos. A permanência média no hospital foi de 15,2 dias, mas chegou a 49,4 dias entre bebês nascidos com menos de 28 semanas de gestação.
O levantamento também identificou pelo menos 1.789 readmissões hospitalares nos primeiros 30 dias de vida, relacionadas a condições como icterícia, dificuldades alimentares e doenças respiratórias.
Os dados reforçam a importância da assistência médica contínua, especialmente nos primeiros meses após a saída do hospital.
Um estudo publicado em 2024 por pesquisadores ligados à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) acompanhou 34 crianças prematuras durante os primeiros 12 meses de idade corrigida.
Entre elas, 18 apresentaram pelo menos um resultado alterado nos testes de desenvolvimento. Crianças com determinados sinais de atraso foram encaminhadas para intervenção precoce.
A pediatra e neonatologista Rita Silveira, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que a alta da unidade de terapia intensiva neonatal representa uma etapa importante, mas não significa o encerramento dos cuidados.
De acordo com a especialista, o organismo de uma criança prematura ainda está em desenvolvimento e exige atenção individualizada a aspectos como alimentação, respiração, crescimento e desenvolvimento neurológico.
Além dos cuidados médicos, o Novembro Roxo destaca a necessidade de oferecer suporte às famílias, que frequentemente enfrentam dúvidas e inseguranças após a alta hospitalar.
A continuidade do acompanhamento permite observar o desenvolvimento de cada criança, identificar possíveis dificuldades e encaminhar tratamentos quando necessários.
A campanha busca ampliar a conscientização sobre a prematuridade e reforçar a importância do acesso aos serviços de saúde, respeitando as necessidades individuais de cada bebê.
Fonte: Agência Brasil — reportagem de Flávia Albuquerque, publicada em 3 de novembro de 2026.