

A prefeita de Uberaba, Elisa Araújo, voltou ao centro de uma forte polêmica política após conceder entrevista ao programa O Pingo do Jota, da Rádio JM. Durante a conversa, ao ser questionada sobre o diálogo com setores da oposição, a prefeita afirmou que mantém portas abertas para o diálogo, mas fez uma ressalva contundente ao declarar que não negocia com “terroristas”. A fala, embora sem citar nomes diretamente, foi interpretada como uma referência aos vereadores do PSDB na Câmara Municipal.
A declaração repercutiu imediatamente no meio político e provocou reações duras dos parlamentares tucanos Thiago Mariscal, Marcos Jammal e Túlio Miquele, que se manifestaram publicamente na sessão seguinte do Legislativo.
Reação dos vereadores
O vereador Túlio Miquele classificou a declaração como desrespeitosa e disse que o papel da oposição é fiscalizar o Executivo e cobrar soluções para os problemas da cidade. Segundo ele, terrorismo é a população sofrer com falta de serviços essenciais, problemas na saúde, na educação e na infraestrutura, e não o exercício legítimo do mandato parlamentar.
Já o vereador Marcos Jammal afirmou que a fala da prefeita foi ainda mais grave por carregar, segundo ele, uma conotação preconceituosa. Jammal avaliou que houve uma alusão indireta à sua origem árabe e que a declaração ofende não apenas sua atuação política, mas toda a comunidade sírio-libanesa presente em Uberaba. O vereador também reafirmou que seguirá fazendo críticas duras ao governo municipal sempre que julgar necessário.
O vereador Thiago Mariscal, por sua vez, destacou que a oposição não irá se intimidar. Ele reforçou que continuará atuando de forma firme na fiscalização do Executivo, mesmo diante de processos e embates políticos. Para Mariscal, a tentativa de desqualificar a oposição com termos agressivos apenas evidencia a dificuldade do governo em lidar com críticas.
Governo tenta reduzir o impacto da fala
Aliados da prefeita tentaram minimizar a repercussão, afirmando que a declaração teria sido feita em sentido figurado e que não houve intenção de ataque pessoal aos parlamentares. Mesmo assim, a fala foi considerada excessiva por diversos setores da política local e reacendeu o clima de tensão entre Executivo e Legislativo.
Clima político se agrava em Uberaba
O episódio amplia o desgaste na relação entre a Prefeitura e a Câmara Municipal, em um momento em que as articulações para as eleições de 2026 já começam a ganhar força nos bastidores. A crise também coloca em debate os limites do discurso político e a necessidade de manter o respeito institucional entre os poderes.
A expectativa agora é se a prefeita fará algum esclarecimento oficial ou retratação pública, enquanto a oposição promete manter o tom crítico e a postura de fiscalização diante do governo municipal.
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