

A semana política em Uberlândia foi um daqueles momentos em que a cidade parece virar um laboratório vivo das tensões brasileiras: mudança partidária nacional, disputa por transparência em atendimentos clínicos e uma proposta robusta para atrair investimentos de alto impacto. O cenário reuniu Câmara Municipal, decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e posicionamentos que mexem com diversos setores da sociedade.
A Assessoria Parlamentar do vereador Edinho Combate ao Câncer confirmou oficialmente que o antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB) agora passa a se chamar Democrata, legenda reposicionada no espectro político entre centro e centro-direita. O TSE aprovou a mudança por unanimidade no dia 2 de dezembro, seguindo o voto do ministro André Mendonça, que enfatizou que não há risco de confusão com o extinto Democratas (DEM), já que a proteção de nome deixa de existir após a dissolução de uma sigla.
Nascido em 2008 e registrado definitivamente em 2015 com o número 35, o partido tem agora 90 dias para ajustar seu estatuto e alinhar a nova fase. A mudança repercutiu entre parlamentares do interior, que passam a incorporar a nova identidade política a partir dos próximos atos legislativos.
Câmeras obrigatórias em clínicas de tratamento
Outra discussão de peso foi o Projeto de Lei Ordinária 210/2025, do vereador Ronaldo Tannus, aprovado em primeiro e segundo turno por votação simbólica. A proposta torna obrigatória a instalação de câmeras de monitoramento em sessões clínicas que atendem pessoas com deficiência — incluindo salas de terapia, consultórios, áreas de reabilitação e até salas de espera.
O texto impõe uma série de garantias:
• aviso visível sobre a presença das câmeras;
• consentimento prévio do paciente ou responsável;
• respeito às normas de acessibilidade;
• conformidade total com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
E abre uma porta sensível: pais e responsáveis poderão, de forma facultativa, ter acesso em tempo real às sessões, desde que respeitadas as características terapêuticas.
Em caso de descumprimento, clínicas poderão sofrer advertência, multa e até suspensão das atividades. A medida já polariza opiniões entre famílias, terapeutas e gestores de clínicas.
Investimentos estratégicos e disputa por competitividade
Fechando a maratona legislativa, o Projeto de Lei Complementar 54/2025, de autoria do Executivo, também avançou — este submetido à votação nominal e dependente de maioria absoluta.
A proposta cria a Política Municipal de Atração de Investimentos, com foco em transformar Uberlândia em um polo de tecnologias, empregos qualificados e atividades de maior valor agregado.
A prefeitura argumenta que não basta atrair empresas — é preciso atrair as empresas certas. O texto menciona incentivos fiscais vinculados a “contrapartidas mensuráveis”, como geração de riqueza auditável, elevação do salário médio e impacto positivo em impostos como ISS, ITBI e ICMS-VA.
A administração municipal promete um modelo “moderno, transparente e fiscalmente responsável”, capaz de reposicionar o município no cenário nacional de competitividade. A proposta ecoa debates que já ocorrem em cidades como Ribeirão Preto, Goiânia e Campo Grande, todas buscando ampliar a base produtiva com incentivos atrelados a indicadores de desempenho.
Segundo o prefeito, a iniciativa pode marcar um divisor de águas: “Uberlândia não quer competir apenas por isenções, mas por resultados concretos.”
Um panorama que espelha o Brasil
A combinação dos três movimentos — reconfiguração partidária, vigilância em atendimentos sensíveis e corrida por investimentos de alto impacto — coloca Uberlândia em sintonia com discussões que movimentam o país inteiro.
No fim, a cidade vive uma semana que expõe debates essenciais sobre transparência, liberdade política, proteção social e desenvolvimento econômico. E os impactos começam agora, mas reverberam muito além de 2025.
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