

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu, em 2025, o maior número de cargos comissionados da história da administração pública federal. Desde o início do atual mandato, em janeiro de 2023, foram criados 4,4 mil novos cargos de confiança, levando o total a 50.770 ocupações políticas registradas em novembro deste ano.
Os números fazem parte de um levantamento do Farol da Oposição, do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB, e foram confirmados pelo Painel Estatístico de Pessoal, banco de dados oficial mantido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O crescimento reacende o debate sobre o inchaço da máquina pública e o uso político de cargos estratégicos no governo federal.
Segundo o Palácio do Planalto, o aumento está diretamente ligado à reestruturação administrativa promovida por Lula logo no início do mandato, quando o número de ministérios foi ampliado. A justificativa oficial é de que não houve criação de despesas adicionais, mas sim a transformação de cargos antigos, considerados vagos ou obsoletos, em novas funções de direção e assessoramento.
Apesar do discurso, os dados fiscais mostram uma escalada significativa nos gastos com o funcionalismo. Em 2022, último ano do governo anterior, as despesas somaram R$ 369,2 bilhões. Em 2025, esse valor já chega a R$ 444,7 bilhões e a previsão para 2026 é de R$ 489,5 bilhões, impulsionada por reajustes salariais, novos concursos públicos e aumentos que também atingem cargos comissionados.
Especialistas veem o cenário com preocupação. Para o cientista político Sérgio Praça, professor visitante da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) e pesquisador do tema, o problema não é apenas quantitativo, mas qualitativo. “Existe um decreto que estabelece critérios como qualificação técnica e reputação ilibada para ocupar cargos comissionados, mas isso raramente é seguido. A lógica política continua prevalecendo”, avalia.
O recorde de nomeações ocorre em um momento de forte polarização política e de pressão por maior eficiência do Estado. Enquanto o governo defende a reorganização administrativa como necessária para implementar políticas públicas, críticos apontam riscos de aparelhamento, perda de meritocracia e aumento permanente dos custos da máquina pública — um debate que promete ganhar ainda mais força com a aproximação do calendário eleitoral.
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