A Câmara Municipal de Uberlândia sediou, no dia 24 de fevereiro, uma reunião pública para discutir os impactos da implantação de Data Centers no município. O encontro ocorreu das 9h às 12h, no plenário, e teve como tema central a sustentabilidade diante do crescimento da infraestrutura digital e seus reflexos ambientais, urbanos e econômicos.
A iniciativa partiu da vereadora Amanda Gondim do PSB, em parceria com a professora MSc Naiara Aparecida Lima Vilela, da Universidade Federal de Uberlândia. Alunos do curso de Direito da UFU participaram do debate e apresentaram propostas legislativas voltadas à regulamentação da instalação e operação de Data Centers na cidade.
Durante a reunião, Amanda Gondim destacou a importância do debate diante do anúncio da implantação de um grande Data Center em Uberlândia, com investimento estimado em R$ 6 bilhões. Segundo a vereadora, a empresa responsável é de pequeno porte e não possui histórico de atuação nas áreas de informática ou inteligência artificial, o que, na avaliação dela, gera preocupação. A parlamentar também afirmou que o Executivo municipal não tem apresentado informações detalhadas sobre o projeto, limitando-se a reforçar que busca facilitar novos investimentos para o município.
A professora Naiara Vilela ressaltou que o tema envolve não apenas desenvolvimento tecnológico, mas também impactos diretos na ocupação urbana, no consumo de energia e nos recursos hídricos. Ela informou que pesquisas acadêmicas vêm sendo conduzidas para avaliar os efeitos ambientais e econômicos da expansão desse tipo de infraestrutura.
Os estudantes apresentaram propostas de projetos de lei que buscam estabelecer diretrizes para a instalação e funcionamento de Data Centers em Uberlândia. Entre os pontos defendidos estão exigências de eficiência energética, controle de emissões de carbono, adoção de princípios de economia circular e gerenciamento sustentável de resíduos.
As sugestões também incluem mecanismos de transparência, prestação periódica de contas e alinhamento às diretrizes climáticas previstas no Acordo de Paris e na legislação ambiental brasileira. Outro eixo das propostas trata do uso racional de recursos naturais e da proteção dos espaços urbanos diante da expansão tecnológica.
O debate evidencia que, ao mesmo tempo em que a infraestrutura digital representa oportunidades econômicas e geração de empregos, também levanta questionamentos sobre consumo de água, demanda energética e planejamento urbano.
A partir da reunião, a expectativa é que as propostas apresentadas possam subsidiar futuras discussões legislativas sobre o tema, inserindo Uberlândia no centro de um debate que já mobiliza cidades no Brasil e no exterior: como crescer digitalmente sem ampliar a pressão ambiental.







