A primeira reunião ordinária do mês de março foi marcada por manifestações contundentes durante a Tribuna Livre da Câmara Municipal. Lideranças da Marcha Mundial das Mulheres Alziras ocuparam o espaço para apresentar a programação do Mês das Mulheres e, ao mesmo tempo, denunciar casos de violência, decisões judiciais consideradas equivocadas e episódios de racismo.
A primeira a se pronunciar foi Maria de Fátima Lucena, que abordou a violência contra as mulheres e criticou uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que absolveu um acusado de estupro de vulnerável envolvendo uma criança de 12 anos. A representante classificou a sentença como inadequada e afirmou que o episódio fragiliza a proteção às vítimas.
Em seguida, Gláucia Santos destacou o papel histórico dos movimentos de mulheres na defesa de direitos e condenou os índices de feminicídio e racismo no país. Durante a fala, solicitou que a Câmara oficialize um pedido de desculpas a uma cidadã por um ato de racismo ocorrido no Legislativo. A representante também cobrou políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e ao enfrentamento da violência.
Ana Cristina Porfírio reforçou as críticas à decisão judicial mencionada e informou que o movimento elaborou uma Manifestação Civil Coletiva, documento que será entregue ao Judiciário e ao Ministério Público em ato público em frente ao Fórum, no dia 4 de março. O objetivo, segundo ela, é pedir a garantia de direitos e maior proteção do Estado às mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade.
O tema do racismo também foi abordado por Malaquias Prêto, representante de casas religiosas de matriz africana, Congados e Moçambiques de Uberlândia. Ele afirmou que as ofensas dirigidas à sua esposa, atribuídas a um vereador, ultrapassam o campo pessoal e atingem simbolicamente a comunidade que representa. Defendeu que o debate público seja conduzido com respeito e responsabilidade.
Além das pautas relacionadas aos direitos das mulheres e ao combate ao racismo, a Tribuna Livre também foi utilizada por lideranças comunitárias. Roberto Alves da Silva, representante dos moradores das Chácaras Oliveira, cobrou melhorias na infraestrutura da região, especialmente na estrada de acesso, no transporte coletivo, na iluminação pública e no saneamento básico. Ele afirmou que os moradores pagam impostos e esperam a prestação adequada dos serviços públicos.
As manifestações ocorreram no contexto das atividades previstas para o Mês das Mulheres, que incluem mobilizações e ações públicas ao longo de março.







