
A expansão das apostas on-line no Brasil aumentou os impactos sobre o orçamento das famílias e a saúde mental dos apostadores. Estudos divulgados por órgãos públicos associam o crescimento das chamadas bets ao endividamento, à ansiedade, à depressão, aos conflitos familiares e à perda de controle sobre o jogo.
Segundo levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), as famílias brasileiras tiveram uma saída líquida estimada em R$ 62,5 bilhões para as plataformas de apostas em 2025.
O cálculo considera a diferença entre o dinheiro transferido pelos apostadores e os valores devolvidos em prêmios. O montante equivale a aproximadamente 0,68% da renda disponível das famílias.
A estimativa foi elaborada com base em dados de transações realizadas por Pix. Representantes do setor de apostas contestam a metodologia e argumentam que parte das movimentações analisadas abrange outras atividades de entretenimento.
Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), citado pelo Ministério da Saúde, estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos de aposta.
Desse total, R$ 30,6 bilhões estariam relacionados à saúde, incluindo tratamentos de depressão e ansiedade, perda de qualidade de vida e impactos provocados por mortes adicionais por suicídio.
Entre 2018 e 2025, a procura por atendimentos relacionados ao jogo patológico e aos problemas com apostas cresceu aproximadamente 140% na rede pública de saúde. A projeção indica que a demanda poderá aumentar mais 104% até 2028.
O transtorno do jogo, também conhecido como ludopatia, é caracterizado pela dificuldade de controlar o impulso de apostar, mesmo quando a prática causa prejuízos financeiros, familiares, profissionais e emocionais.
Durante a aposta, o cérebro pode liberar dopamina diante da expectativa de uma recompensa. Esse mecanismo pode estimular a repetição do comportamento, mesmo quando as perdas financeiras são maiores que os ganhos.
Entre os sinais de alerta estão:
• dificuldade para interromper as apostas;
• aumento progressivo dos valores utilizados;
• tentativa de recuperar o dinheiro perdido com novas apostas;
• empréstimos ou dívidas para continuar jogando;
• irritabilidade, ansiedade ou mudanças de comportamento;
• afastamento de familiares e amigos;
• comprometimento do dinheiro destinado a despesas essenciais.
Pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas podem procurar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado é oferecido pela Rede de Atenção Psicossocial, incluindo unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial e serviços de teleatendimento disponíveis pelo aplicativo Meu SUS Digital.
Também existe a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite solicitar o bloqueio do próprio CPF nos sites de apostas autorizados.
Em situações de sofrimento emocional intenso ou pensamentos suicidas, é possível buscar atendimento pelo Samu, no telefone 192, procurar uma unidade de emergência ou entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida pelo número 188.
Com informações da Agência Brasil, do Ministério da Saúde, do Comsefaz e do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde.
Mín. 23° Máx. 38°