
O eleitorado evangélico ocupa posição central na disputa política das Eleições 2026, mas a maioria dos fiéis rejeita a utilização das igrejas e de suas atividades religiosas como instrumentos de campanha eleitoral.
Embora candidatos e partidos intensifiquem o diálogo com lideranças religiosas na tentativa de conquistar votos, levantamentos recentes apontam que aproximadamente oito em cada dez religiosos consideram inadequado o uso dos espaços de fé para manifestações político-partidárias.
Os dados fazem parte de pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest. O estudo revela que os evangélicos não formam um grupo político homogêneo e apresentam diferenças relacionadas à denominação religiosa, à região do país, à renda, à idade e à frequência com que participam das atividades das igrejas.
Apesar da influência de pastores e lideranças, grande parte dos entrevistados afirma que a escolha eleitoral deve ser tomada de forma individual.
O levantamento mostra que orientações diretas de voto existem, mas não representam a maioria dos fiéis. Entre os entrevistados, 11% disseram ter recebido de suas lideranças religiosas indicação para votar em Jair Bolsonaro na eleição presidencial anterior, enquanto 5% receberam orientação favorável a Luiz Inácio Lula da Silva.
A influência foi maior entre os pentecostais. Nesse grupo, que reúne denominações como Assembleia de Deus, Igreja Universal e Igreja do Evangelho Quadrangular, 23% afirmaram ter recebido indicação de voto de seus pastores.
Especialistas destacam, entretanto, que o eleitor evangélico não deve ser tratado como um bloco único. Além das diferenças entre as denominações, questões econômicas, sociais e familiares também influenciam a decisão nas urnas.
Segundo dados do Censo 2022, o Brasil possui aproximadamente 47,4 milhões de evangélicos, o equivalente a 26,9% da população com 10 anos ou mais.
O crescimento desse segmento ajuda a explicar a atenção dedicada pelos candidatos às pautas religiosas, familiares e de costumes. O interesse eleitoral, porém, convive com uma rejeição expressiva à transformação dos templos em espaços de propaganda política.
A participação dos religiosos no debate público é assegurada pela liberdade de expressão e pela liberdade de crença. A legislação eleitoral, no entanto, estabelece limites para a propaganda em templos, considerados bens de uso comum mesmo quando pertencem a instituições privadas.
O Ministério Público Eleitoral tem orientado igrejas, lideranças e candidatos a não utilizarem cultos, celebrações, reuniões religiosas ou estruturas dos templos para favorecer partidos ou candidaturas.
A utilização política dessas estruturas pode ser investigada pela Justiça Eleitoral e, dependendo do caso, resultar em penalidades aos responsáveis e aos candidatos beneficiados.
O desafio para as campanhas é dialogar com um eleitorado numeroso e diverso sem ultrapassar os limites legais ou transformar a fé em ferramenta de pressão eleitoral.
Com informações da Agência Brasil, Iser, Quaest, IBGE e Ministério Público Eleitoral.