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MÃE E IRMÃO DE ORUAM SÃO PRESOS EM OPERAÇÃO DA PF CONTRA SUPOSTO ESQUEMA DE INTERNET DO COMANDO VERMELHO

Operação Backbone investiga controle ilegal de provedores de internet em comunidades do Rio de Janeiro; ação resultou em 20 prisões e autorização judicial para bloqueio de até R$ 558 milhões.

Redação
Por: Redação
20/10/2026 às 10h17

A Polícia Federal prendeu 20 pessoas na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, durante a Operação Backbone, que investiga um suposto esquema de controle do fornecimento de internet ligado ao Comando Vermelho em comunidades do Rio de Janeiro.

Entre os presos estão Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, mãe e irmão do rapper Oruam. A informação foi divulgada pela CNN Brasil e confirmada por outros veículos de imprensa.

A investigação apura suspeitas de extorsão, exploração irregular de serviços de telecomunicações e lavagem de dinheiro por meio de empresas que atuavam em regiões controladas pela organização criminosa.

Como funcionaria a chamada internet do tráfico

Segundo a Polícia Federal, integrantes da organização criminosa utilizariam armas, ameaças e violência para controlar o fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense.

De acordo com a investigação, operadoras concorrentes teriam seus cabos cortados e equipamentos de distribuição incendiados. Técnicos também seriam impedidos de realizar reparos na infraestrutura.

Essas práticas teriam como objetivo restringir a concorrência e obrigar moradores e comerciantes a contratar serviços de provedores autorizados pela facção.

As empresas que recebiam autorização para operar nesses territórios também pagariam valores mensais à organização criminosa.

Segundo a PF, registros contábeis atribuídos ao grupo indicam que, em determinado mês, a cobrança relacionada aos serviços de internet teria representado mais de 40% da arrecadação da organização no Complexo da Penha.

Justiça autoriza bloqueio de até R$ 558 milhões

A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão.

As medidas foram direcionadas a endereços no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas físicas e 42 empresas.

O valor corresponde ao limite autorizado judicialmente e não significa que toda essa quantia tenha sido efetivamente localizada ou apreendida.

A decisão também prevê a suspensão de atividades econômicas de empresas investigadas, incluindo provedores de internet e negócios suspeitos de participação na movimentação de recursos ilícitos.

PF investiga lavagem de dinheiro

As investigações apontam que recursos obtidos com a exploração dos serviços de internet teriam sido movimentados por empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas utilizadas para transferências.

Segundo a Polícia Federal, o dinheiro seria posteriormente direcionado a atividades como produção de eventos, publicidade, aquisição de imóveis e operações com criptoativos.

A corporação investiga a participação de familiares e de outras pessoas ligadas a integrantes da organização criminosa na administração desses negócios.

Vereador também foi preso

Entre os presos durante a operação está o vereador do Rio de Janeiro Fábio Silva Costa (Podemos), localizado em Londrina, no Paraná.

De acordo com informações publicadas pelo UOL, o parlamentar é investigado por suspeita de participação em empresas provedoras de internet supostamente ligadas ao Comando Vermelho.

Em manifestação divulgada pelo veículo, Fábio Silva negou as acusações e qualquer ligação com práticas ilícitas. Sua defesa informou que ainda não havia tido acesso aos autos para comentar detalhadamente o caso.

Outro alvo de mandado é Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, pai de Oruam, que já se encontrava preso.

Até a atualização das reportagens consultadas, não havia confirmação de que o rapper Oruam fosse investigado no âmbito da Operação Backbone.

Anatel deverá avaliar situação das empresas

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá ser comunicada sobre as empresas investigadas para avaliação de providências relacionadas às autorizações de funcionamento e à continuidade dos serviços.

Segundo a Polícia Federal, deverão ser adotadas medidas para evitar que os moradores das comunidades afetadas fiquem sem acesso à internet.

A Operação Backbone integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater a atuação de organizações criminosas no Rio de Janeiro.

As prisões preventivas e demais medidas cautelares fazem parte da investigação. A responsabilidade criminal dos envolvidos dependerá da apuração e das decisões judiciais cabíveis.

Fontes: Polícia Federal — comunicado oficial de 19 de outubro de 2026; CNN Brasil, UOL, Folha de S.Paulo e SBT News — reportagens publicadas em 19 de outubro de 2026.

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